terça-feira, 12 de outubro de 2010

Haiti: A África está aqui

A América Central, tanto a porção ístmica quanto a insular, não se caracteriza por estabilidade ou por grande desenvolvimento econômico e social. Na verdade é exatamente o oposto. No entanto, mesmo com a acentuada pobreza e baixo desenvolvimento, um país consegue se destacar, de forma negativa, apresentando uma situação muito pior, que contrasta com a de todos os outros países da América, tanto Central, quanto do Sul e do Norte. Esse país é o Haiti.


O processo histórico do Haiti, em seu início, é notável: foi o primeiro país americano a abolir a escravidão. Mas esse pioneirismo se resumiu a esse aspecto. Entretanto, o processo histórico e a sua ditadura perversa não será o foco da abordagem aqui, mas sim a situação social e econômica. Situação essa que se mostra extremamente grave e infelizmente está praticamente abandonada a insuficientes iniciativas internacionais.

Analogamente a África, o número de infectados pelo HIV é altíssimo. Soma-se 7200 mortes por ano em decorrência da doença. Pior taxa da América Central. O desemprego atinge 70% da polução e a miséria predomina; 80% da população vive abaixo do nível de pobreza. Apenas 28% da sociedade tem acesso a saneamento básico e metade dela é composta por analfabetos. Embora o idioma oficial seja o francês, ele é falado por menos de 20% dos haitianos, sendo o crioulo a língua predominante. A situação da saúde é precária ao máximo e apenas 2,9% do já pequeno PIB é investido nesse setor.


Trata-se também de um país esquecido pela mídia, que raramente discorre sobre. Recentemente ele - Haiti - esteve nos noticiários – por pouco tempo – em decorrência do terremoto que atingiu a capital da nação, Porto Príncipe, e devastou a cidade, deteriorando ainda mais a já complicada situação. Menos de 2% da ajuda humanitária prometida chegou ao país e muitas ONGs já se retiraram.
Terremoto que devastou Porto Príncipe em Janeiro de 2010
Uma crise política, social e financeira que já perdurava há décadas chegou ao auge em 2004 com a eclosão de uma rebelião armada contra o governo, que clamava pela saída de Aristides, que governava por decreto. Aristides renúncia e sai do país, exilando-se na África do Sul, onde vive hoje muito bem, com o dinheiro desviado de seu berço. Prontamente a ONU aprova o envio de forças militares pacificadoras para o país, visto a situação do país caribenho. Liderando essas forças militares estão tropas brasileiras. Essa iniciativa brasileira não é de cunho unicamente solidário, existem motivos políticos por trás. O Brasil anseia tornar-se membro permanente do conselho de segurança da ONU.

A Minustah (Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti) conta com a participação de 47 países. Elas se mostram cruciais, no momento, para a estabilização do país. No terremoto, já supracitado, que devastou a capital do país no início do ano, esses soldados da força pacificadora tiveram demasiada importância, pois foram eles que deram o apoio inicial, sofrendo, aliás, várias baixas. Mas tudo isso é pouco, visto que a demanda por ajuda é muito maior. O Haiti, com um dos piores IDHs do mundo, necessita de estrutura, investimentos e tecnologia. Ele está no fundo do poço, e o poço está seco. As grandes economias do mundo e das Américas pouco fazem pelo país. E o prognóstico não é dos melhores.
Terremoto




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