segunda-feira, 18 de abril de 2011

Oriente Médio, Revolução dos Jasmins e a Poliarquia ou Democracia

De acordo com Robert Dahl, democracia, da forma como a concebemos, não existe. O que existe, ele diz, é a Poliarquia ou quase Poliarquia. Poliarquia seria uma mistura de grande participação do povo (inclusividade) e liberalização (contestação pública), no entanto, sem atingir o patamar ideal, que seria no qual a mesma passaria a se chamar democracia. Portanto, entenda-se Poliarquia como os sistemas “democráticos” que conhecemos hoje (EUA, Brasil, Inglaterra, França, Alemanha, Japão, Rússia etc.).

Sistema democrático nada mais é que um Governo Representativo e existem alguns modelos do mesmo: parlamentarismo, presidencialismo etc. Mas o objetivo aqui não é servir de Wikipédia, mas sim abordar a relação apontada no título. Dahl diz que existem três caminhos observáveis – na história – de se chegar à Poliarquia e, dentre esses, o menos eficiente é o que se dá de forma abrupta, como uma revolução, por exemplo. Para os interessados em conhecer os outros dois percursos, basta clicar aqui ou então ler “Poliarquia. Participação e Oposição – Dahl, Robert – 1997”.

As inaugurações de poliarquias que se dão de forma abrupta raramente são capazes de se manter estáveis. Essas poucas exceções, que no caso, são muito bem sucedidas, ocorreram num contexto singular, que foi o da dominação militar por outra(s) nação/nações. É o caso do Japão e da República Federal Alemã após a Segunda Guerra Mundial.

 E é a partir daqui, após essa introdução didática, que tratarei da onda revolucionária que ocorre no mundo árabe no momento. A reflexão que quero fazer refere-se ao aspecto geral da coisa; simples olhar sobre toda a região afetada. Como esses países, como esses povos, que até então existiram numa realidade de repressão (que Dahl chamaria de Hegemonias Fechadas) vão lidar com essa reviravolta? Que espécie de “democracia” surgirá? Surgirá? É possível que um governo representativo (de verdade e não à lá Irã) realmente funcione em países acostumados com figuras como Kadafi e Mubarak?

As dúvidas são ainda maiores e mais intensas por se tratarem de culturas menos abertas no que tange à “liberdade do indivíduo” e mais distantes do ideal de Direitos Humanos proposto pela ONU. A religião - o islamismo, principalmente - nesse caso é outro fator que dificilmente seria compatível com princípios democráticos.

Trata-se, então, de um momento histórico. Será analisado e estudado por gerações. Descobriremos, com o tempo, se “hegemonias fechadas” podem realmente cair, em definitivo, diante de revoluções e através das mesmas atingirem a democracia; isso tudo, é claro, no contexto singular do Oriente Médio. Não se trata de um julgamento etnocêntrico e vazio, no qual o Sistema dominante no Oriente Médio está no extremo negativo da linha “evolutiva” e a Democracia no extremo positivo, mas sim de uma incógnita em torno dessa questão da transição de sistemas governamentais. Em suma, essa postagem resume-se em dúvidas e não em conclusões.Bibliografia:
Robert A. Dahl - Poliarquia. Participação e Oposição.
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