quinta-feira, 19 de maio de 2011

Felipe Ramos de Paiva – Estamos adormecidos

O que precisa acontecer para que tomemos atitudes? Para que a sociedade se mobilize? Honestamente, não sei... Será que só somos capazes de abrir os olhos quando a morte bate à porta? Uma indagação ainda mais dolorosa, principalmente para os familiares dessa vítima: essa morte precisava mesmo ter acontecido? Não! Não precisava.

Não se enganem, não estou isento da crítica que tento fazer aqui. Assim como os demais, também ando por aí indiferente à violência que nos cerca; indiferente aos casos diários de assaltos, sequestros, estupros e assassinatos. Não é que eu não me importe, não é que eu esteja insensível a tudo isso, é pior. Estou, na maior parte do tempo, num profundo torpor. Um torpor que reduz minha reação a um simples e vazio pensamento: “mais um assassinato”, “mais um estupro”...

Percebam que foi preciso que um colega da universidade fosse morto para que eu parasse um instante para refletir sobre o assunto. E ao refletir, sinto ânsia... Sinto asco... Asco das pessoas que não despertam para o mundo, daqueles que andam por aí tais quais zumbis, imersos num mar de passividade e egoísmo. Em suma, sinto asco de mim mesmo, pois sou mais um dentre todos esses que acabo de hipocritamente criticar.

Não quero que FELIPE RAMOS DE PAIVA seja apenas notícia antiga semana que vem. Não quero que FELIPE RAMOS DE PAIVA seja apenas mais um dado a ser acrescentado numa infindável lista de vítimas do entorpecimento da sociedade.

O que eu proponho? Sim, tenho uma proposta. Mesmo que eu seja desprovido de peso político, mesmo que minha voz possa ser ouvida apenas por poucos, sim, tenho uma proposta! Vamos discutir o assunto...

Discutir, questionar e nos indignar. Essa é a proposta. Não podemos deixar que a morte seja banalizada de tal maneira... A voz é umas das poucas armas que ainda possuímos a capacidade de resgatar. Repito: RESGATAR. Não temos voz, não participamos. Apenas ouvimos; indiferentes...

Espero que eu seja capaz de ouvir a proposta que faço. Espero que você também seja.

13 comentários:

  1. Somos a maioria entre os bons, e uma pequena minoria, os bandidos, predominam. Por que? Em londrina, uma mulher foi morta com um tiro na cabeça ao parar em um semáforo. Foi morta por um garoto que usava drogas no ponto de ônibus logo em frente ao semáforo. E o pior, toda a cidade sabe que naquele ponto de ônibus ficam os bandidos. Por que a polícia não revista os suspeitos? Por que a polícia usa tapa-olhos para os bandidos? Será que existe alguma vantagem por trás disso? Será que não apenas os traficantes ganham com a venda de drogas? Será...? Em Maringá, o Estadio de futebgol (WD) é um ponto de encontro daqueles. Perguntem quantas vezes por semana vemos um carro de polícia parado no estádio? A fumaça chega fazer sombra. A população brasileira deveria se juntar e comparecer um peso em Brasilia. O país é só corrupção. Eu queria ter um pai que enriquece 20 vezes mais rápido seu patrimônio em 4 anos. Eu queria ter um pai que elege o filho para continuar sua corja. Más será que eu quria isso mesmo? Onde ficaria minha moral? Meus costumes? Minha imagem perante as pessoas de bem? Será...?

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  2. Me entristeço ao lembrar do que os outros esqueceram, e ver que os fatos só se repetem. Quem ainda lembra e pensa na família que foi morta queimada em Ibiúna, do menino que foi morto arrastado por fora do carro no Rio de Janeiro, do casal de namorados que foi torturado e morto enquanto acampava, das milhoes de vitimas que viram historia, que viram apenas numeros, estatística. Quem ainda lembra das crianças vítimas do ex aluno no Rio, quem lembra? Há pouco tempo outro rapaz foi morto perto da GV, quem lembra dele? E quem va lembrar desse rapaz daqui há um tempo? A memória é curta, e no geral as pessoas tendem a esquecer as coisas ruins. As famílias vão permanecer sofrendo. A solução não sei, mas o caminho realmente é discutir o assunto. Somos passivos demais. Demais.

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  3. É meu caro, estamos mergulhados num torpor absoluto. Hoje a regra geral é: "aproveite bem as cartas que você tem nas mãos, e os outros que se danem" (parafraseando Bauman). Enquanto a sociedade estiver voltada somente para a lógica do consumo desmedido, do desenvolvimento irresponsável, fatos chocantes como esse continuarão a acontecer e, nós, pobres escravos de um sistema insano, continuaremos indiferentes, no máximo, dizendo algumas palavras e só. De fato, é preciso discutir, ponderar, buscar soluções e, principalmente, mobilizar para a mudança.

    Abraço.
    Att.,
    Anderson

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  4. Acho que um dos problemas sociais que faz com que esse tipo de banalização aconteça é a fácil explicação: Bandidos X Homens Bons = Mais policiamento, mais repressão, mais violência. Discordo de todos os termos dessa equação assim como seu resultado final.
    Acho que esse tipo de equação tampona diversas questões mais importantes que estão por trás. Tanto que a questão de Saúde Pública não é discutida só entre o governo e os policiais, mas sim entre os agentes da Educação, Assistencia Social, Saúde, Moradia.....
    E sabem um bom modo de agir que temos e não aproveitamos? Participar das Conferencias de Segurança Pública. Elas ocorrem periodicamente e a população pode participar, votar, colocar propostas para debates. A partir dessa conferência são tiradas diretrizes de ação do governo. Claro que tudo isso não é simples e fácil assim... mas é uma fonte de mobilização social legítima da qual não aproveitamos.

    E claro, discutir e questionar.. principalmente para que essa equação que coloquei acima não seja vista como algo natural e cristalizado.

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  5. Não estamos distantes de qualquer possibilidade de extração de nosso direito mais importante, o direito natural chamado vida. Sou um mero contador e ainda um medíocre estudante de direito. Ví muitos amigos bons se corromperem ao passo que ingressam na vida política. Assim, estes mesmos elaboram as leis para "os demais" cumprirem. Muitos desses, possuem segurança 24hs. Muitos desses não chegaram a completar a 5ª série do ensino fundamental. Por que os burros mandam nos inteligentes? Será eles pessoas desprovidas de moral que não se importam em aparecer em manchetes constrangedoras? Estes mesmos são a1queles que estão se apropriando das coisas do povo, pois possuem plano de saúde excelente, seguros patrimoniais exorbitantes e assim vai. Se quem tivesse levado um tiro fosse um neto do Sarney, como ficaria? Se fosse a filha da "Dona Dilma". Então quer dizer que estão reprimindo agora até mesmo nossa "liberdade" de obter conhecimento. Não podemos mais. Somos assaltados nas ruas, dentro de nossas casas, nos supermercados, nas livrarias, nos hospitais e agora nas escolas e universidades. Uma única andorinha não faz verão, más 1 milhão de andorinhas podem "sujar" a cabeça de muita gente.

    Ass. Zé

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  6. Mais um triste episódio para engordar as estatísticas. Apenas isso mesmo e mais nada! Por quê?
    Por que tanto descaso, por que tanta falta de vontade para mudar o cenário dessa crise urbana?
    A violência tomou conta das nossas cidades, da sociedade como um todo, e somos reféns de todo tipo de barbárie. Até quando?
    Mas não estou aqui para dizer só isto. Quero saber até quando o Estado vai ficar inerte, até quando vai ficar passivo, quando é que tomará a sua posição de Estado, quando é que irá nos proteger?
    Isso é Estado? Acho que não!
    Não temos mudanças de regimes, não temos políticos que prestem para alguma coisa, em consequência disso não temos segurança, não temos nada!
    Vivemos numa arena, todos se digladiando.
    É triste!

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  7. Como o Anônimo bem disse, exemplos de casos brutais não faltam.
    Semana passada um garoto foi morto ao sair da balada; perdeu a vida apenas por ter "ficado" com a "ex-ficante" de um outro garoto que também estava lá.
    Teve o menino da FGV que foi assassinado por um motivo tão banal quanto o citado acima.
    Semanalmente casos semelhantes ocorrem e nos comportamos como se não fosse conosco. Mas está aí, está acontecendo. Se não nos importarmos, quem se importará?
    Tem uma música do Max Gonzaga que fala sobre isso; embora a música seja uma crítica à classe média, acho que se enquadra bem nesse contexto de inércia em que vivemos:
    http://www.youtube.com/watch?v=KfTovA3qGCs

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  8. Falta vontade política para a reforma judiciária e vergonha na cara de nossos dirigentes.
    O que temos? Visita íntima para presos, induto de natal, do dia das mães, do dia dos pais, de carnaval e FELIPES SENDO ASSASSINADOS.

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  9. Carlinha, interessante isso. Eu não conhecia essas Conferências de Segurança Pública. Creio que participar delas já é uma maneira de mostrarmos que sim, nos importamos, ou ao menos queremos fazer algo.

    Como disseram aqui nos comentários, "uma única andorinha não faz verão, más 1 milhão de andorinhas podem "sujar" a cabeça de muita gente."

    Acredito que na questão da segurança pública, as coisas são mais complicadas do que parecem.
    Existe todo uma teia de realidades, de aspectos sociais e políticos que contribuem para que o nível de violência aumente.
    Então acho que mais do que apenas pedir por segurança eficiente dentro da USP, devemos exigir por segurança em toda a cidade.
    Essa "segurança" não se resume a policiamento.
    Olhando mais atentamente, acho que de uma maneira ou outra acabamos encontrando uma barreira, acabamos batendo num muro. Esse muro se chama Brasília.

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  10. Renato Mello Medeiros19 de maio de 2011 11:52

    Mais um triste episódio para engordar as estatísticas. Apenas isso mesmo e mais nada! Por quê?
    Por que tanto descaso, por que tanta falta de vontade para mudar o cenário dessa crise urbana?
    A violência tomou conta das nossas cidades, da sociedade como um todo, e somos reféns de todo tipo de barbárie. Até quando?
    Mas não estou aqui para dizer só isto. Quero saber até quando o Estado vai ficar inerte, até quando vai ficar passivo, quando é que tomará a sua posição de Estado, quando é que irá nos proteger?
    Isso é Estado? Acho que não!
    Não temos mudanças de regimes, não temos políticos que prestem para alguma coisa, em consequência disso não temos segurança, não temos nada!
    Vivemos numa arena, todos se digladiando.
    É triste!

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  11. Estou imensamente triste...
    Conhecia o Felipe desde criancinha e posso afirmar que é uma dor muito grande...
    O que mais terá que acontecer para que jovens ou velhos ou crianças ou eu mesma não passe por isso?

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  12. De fato...
    Tudo isso dá uma tremenda sensação de impotência.
    Lamento pela sua perda, de verdade...

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