terça-feira, 24 de maio de 2011

Manal al-Sherif – Um grito por mudanças

Navegando insone pela internet me deparei com a seguinte notícia: "Mulher é presa pela segunda vez na Arábia Saudita por dirigir carro." Minha reação quase que imediata foi “Quê? Título polêmico pra me fazer clicar na notícia”. Cliquei. Bom, me deparei com o texto que deixei linkado acima.
 
Não é nenhuma surpresa ou novidade que a Arábia Saudita reprima suas mulheres. O que me cativou foi a atitude surpreendente de Manal al-Sherif; ela entrou no carro, mesmo que nesse país as mulheres sejam proibidas de dirigir e, sim, dirigiu, num  ato deliberado de protesto.

Olha, sou meio sensível em relação à situação das mulheres na cultura islâmica. Confesso que chorei umas três vezes (espero que meus amigos não leiam isso) lendo o livro “Infiel”, da Ayaan Hirsi Ali, portanto é algo sem palavras ver uma mulher, mesmo com toda uma sociedade retrógrada contra ela, se levantando e contestando.


Manal al-Sherif, não satisfeita, ainda fez um vídeo (enquanto dirigia) encorajando outras mulheres a fazerem o mesmo. Ocorreu também uma campanha no facebook pedindo que mulheres que possuíssem carteira de habilitação tiradas em outros países participassem da causa e dirigissem todas, num ato de protesto, no dia 17 de Junho. Diversas mulheres participaram.

 
Como obviamente fiquei curioso, fui pesquisar mais sobre o assunto e encontrei esse texto num blog intitulado “SaudiWoman’s Weblog”.

Vou postar um trecho aqui e logo abaixo a tradução livre do mesmo feita por mim:

“On top of that we have a sheikh Dr. Al Habdan who has made it his personal mission to make sure no woman drives in Saudi. He has called on the PVPV to stop these “rebellious women”.  Many of those opposing women driving claim that it is a Zionist/Western/ Iranian/Shia conspiracy to disrupt Saudi society and corrupt the morals and honor of Saudi women. Also that any woman that speaks out for lifting the ban is not a pure Saudi but rather a woman who is nontribal or an immigrant. Because according to them no pure Saudi woman wants to drive.

Minha tradução, provavelmente com alguns erros:
 
No topo disso [grupo contra essa manifestação] está o sheikh Dr. Al Habdan que fez disto [posicionamento contra às exigências dessas mulheres] sua missão pessoal, para garantir que nenhuma  mulher dirija na Arábia Saudita. Ele chamou a PVPV à parar/impedir essas “mulheres rebeldes”. Muitos desses que se opõem à mulher dirigir dizem que isso é um sionismo/ocidentalismo/Iranianismo/ Conspiração xiita para dividir a sociedade saudita e corromper a moral e a honra da mulher saudita. Diz também que qualquer mulher que fale contra esse embargo não é uma saudita pura mas sim uma nontribal(?) ou uma imigrante/estrangeira. Porque de acordo com ele nenhuma mulher saudita quer dirigir.”
 
Não que eu tenha qualquer influência em qualquer coisa (não tenho), mas ainda assim fica aqui registrado o meu apoio a Manal al-Sherif e a todas as mulheres que lutam por essa causa.

Para deixar registrado também a imbecilidade de algumas pessoas no nosso país, deixo abaixo o print que tirei da mesma página onde li a notícia logo de início:

Clique sobre a imagem para visualizar melhor

Algumas imagens da campanha:

Eu quero dirigir porque não há nenhuma razão para que eu não consiga.

Mulheres de Verdade Dirigem Carros

3 comentários:

  1. Sabes, o facto de os árabes serem opressores de mulheres não me espanta nada, o que me assusta é os ocidentais, ou com cultura ocidental, mostrarem essa mesma postura, tal como o autor desse comentário.

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  2. Não são todos os árabes que são opressores. Apenas os árabes muçulmanos que são. Acredito que exista uma diferença de tempo entre as civilizações. Essa diferença de pensamento entre os ocidentais e povos orientais como os árabes muçulmanos mostra esse lapso entre os mundos. Vale lembrar que no início da colonização brasileira, quando a cidade de São Paulo foi fundada, mulheres não saíam de casa e só saíam completamente cobertas. Na Idade Média, mulheres grávidas não podiam expor o fruto do pecado para as pessoas.

    São movimentos como o das mulheres sauditas que mudam os pensamentos há muito arraigados. Inclusive aqui, como o comentário mostra, existe gente retrógrada que não lê estatísticas que aponta que mulheres são mais cuidadosas ao dirigir e se envolvem em menos acidentes e crimes de trânsito do que os homens. Lapso de pensamento de novo.

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  3. obrigado, sybylla, caí no erro da esteriotipação, e já para acrescentar, o muçulmanismo também não oprime as mulheres assim tanto, pelos menos o da minha terra.

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