sexta-feira, 3 de junho de 2011

Franz Boas - Rompendo com o Evolucionismo Social e Etnocentrismo

Os autores considerados evolucionistas que precederam Boas, inclusive os próprios pais da antropologia (Frazer, Taylor e Morgan), possuíam métodos teóricos e metodológicos que lhes deram a alcunha de Antropólogos de Gabinete.

Baseavam-se, de forma predominante, na ideia de uma linearidade da cultura humana, na qual a mesma, de forma gradativa, iria evoluindo.
Havia, portanto, uma hierarquia cultural. Para esses autores não existiam “culturas”, mas sim “cultura”, uma única, que iria evoluindo no decorrer do tempo. Chegaram a classificar a sociedade em três estágios fundamentais: Selvageria, Barbárie e Civilização, nessa ordem. O último estágio seria o referente às sociedades ocidentais, notadamente Europa e Estados Unidos.


Percebe-se aí um forte etnocentrismo. Utilizavam também o Método Comparativo, que consistia em fazer análises de diversas sociedades através de descrições relatadas (em papel, diários, documentos etc.) por exploradores, religiosos que se instalavam ou passavam por essas regiões ou por qualquer um que tivesse escrito algo sobre determinada população.
 
Os três pais da antropologia utilizavam esse método, hoje claramente ineficiente, para tentar comprovar uma regra geral e uma suposta linearidade entre as diferentes sociedades. Em decorrência de toda essa linha de pensamento surgiu a máxima: “Um só caminho, uma só humanidade”.
 
Franz Boas discordava da tradição evolucionista e da metodologia caracterizada pelo Método Comparativo, já citado acima. Ele representou um marco de ruptura com o princípio do evolucionismo cultural, tanto nos aspectos teóricos quanto nos práticos. Acreditava e afirmava que era muito mais provável que as culturas (também usava a palavra cultura no plural, expondo sua tese da diversidade) tivessem se desenvolvido e se desenvolvam de forma independente; até sobre própria ideia do difusionismo, de acordo com ele, não explicava totalmente as culturas. Ele considerava improvável a possibilidade de uma regra geral para o comportamento humano.
 
De acordo com Boas o método comparativo, que era defendido arduamente por Taylor, era ineficaz e não valia como prova do “evolucionismo cultural”. Enquanto Tylor dizia que a comparação de relatos sobre um mesmo objeto, fazendo teste de recorrência de elementos culturais, era suficiente para averiguar uma regra cultural, Boas discordava e afirmava o oposto.
 
Esses escritos e relatos, que os evolucionistas utilizavam, não possuíam base verdadeiramente científica ou confiável, de acordo com Boas. Tais escritos, dizia ele, poderiam ser meros produtos do senso comum e de uma visão demasiadamente etnocêntrica por parte de seus autores.
 
Boas também não acreditava que o determinismo geográfico pudesse explicar totalmente a formação e a cultura de um povo. Isso porque o determinismo geográfico não explica a causa de grandes diferenças culturais entre sociedades que se desenvolveram em regiões geográficas semelhantes.
 
Boas propunha um método que estudasse as mudanças em uma única sociedade/cultura. Para ele era mais importante entender os processos culturais que ocorrem no presente do que propor grandes leis de desenvolvimento da civilização.
 
Em suma, Boas defende uma antropologia que enxergue a cultura como um conjunto de diversos fatores, como uma totalidade. Como algo impossível de ser resumido em leis, tais como ocorre muitas vezes nas ciências biológicas. 

Bibliografia:
Boas, Franz: As Limitações do Método Comparativo
Boas, Franz: Raça e Progresso
Castro, Celso: Evolucionismo Cultural
Artigo "Horizontes Antropológicos" de Nicole Isabel dos Reis.

Franz Boas

8 comentários:

  1. Acho que devias ter feito uma referência a este artigo ou então um link para aqui naquele outro sobre a autora psicóloga do outro blog.

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  2. Verdade. Nem tinha pensado nisso.
    Valeu pela dica.

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  3. qual o nome do método que Boas pregava?

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    1. No texto "As Limitações do Método Comparativo da Antropologia" de 1896, Boas o chama de Método Histórico. Mas ele pode ser considerado difusionista.

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  4. Culturalismo, difusionismo foi G. Elliot Smith

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  5. Boas defendia um relativismo cultural.

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