quinta-feira, 23 de junho de 2011

Política e Ética – A Tomada de Decisões

Hans J. Morgenthau
Quando a decisão a ser tomada, em geral por líderes de uma nação ou por órgãos políticos de grande representação, possui potencial para repercutir em toda uma sociedade, essa decisão tende a considerar fatores que vão além dos anseios e(ou) valores daquele que representa; fatores que podem ir além da ética e honra individual, buscando atingir o que é de interesse nacional. Mesmo que se trate de uma decisão que não possua essa capacidade de repercussão, ainda assim, uma decisão pode ser tomada em detrimento dos valores individuais, com o objetivo de representar uma maioria.
 

Podemos citar o discurso da Marina Silva, na última eleição presidencial (2010), para ilustrar o supracitado: ela se dizia moralmente contrária ao aborto, mas ressaltava que suas decisões seriam pautadas no interesse e consenso da maioria, mesmo que para isso tivesse que ir contra seus próprios princípios.
 
Percebe-se, portanto, uma separação entre o campo individual e coletivo no que concerne a atuação individual de muitos políticos. Em seu livro A Política Entre as Nações, Morgenthau discorre sobre “dever oficial” e o “desejo pessoal”, segue abaixo um trecho:
 
“(...)eles terão de distinguir, como o fazia Lincoln, entre o seu “dever oficial”, que implica pensar e agir em função do interesse nacional, e o seu “desejo pessoal”, que é o de ver seus próprios valores morais e seus princípios políticos realizados em todo o mundo.”
 
Charles de Gaulle
Outro exemplo pertinente é o general francês Charles de Gaulle que quando da invasão da França pela Alemanha o mesmo se refugiou na Inglaterra, deixando sua terra natal. Muitos franceses até hoje consideram sem honra a sua atitude. Mas o que ocorreu foi que ele possuía mais utilidade para a França estando na Inglaterra. Deixou o campo de batalha em detrimento de seus valores de honra, tendo - supostamente - os interesses do país em primeiro plano.
 
Para concluir, podemos dizer que muitas vezes a perspectiva da ética e da política, no contexto da decisão, podem ser conflitantes, mas como diz Morgenthau, talvez o mais eficiente seja a atitude/decisão que leve em conta o “mal menor”.

2 comentários:

  1. Eu acho muito prático e sensato o que ele diz. A isso chama-se ser democrático (julgo er, se na verdade a democracia serve para por a nação sobre o indivíduo), entretanto, na prática é bem mais difícil e por vezes "imprático", principalmente quando rodeado de figuras sem ética.

    Outra coisa, essa candidata, Marina, tem me chamado muito a atenção, pelo que falaram dela durante o processo eleitoral e pelo que ainda tenho lido dela é, na minha opinião a pessoa com o melhor perfil para ganhar as eleições; e ela perder só mostra que se joga com dados viciados.

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  2. A Marina surpreendeu o Brasil nas últimas eleições. Ninguém esperava que ela fosse receber tantos votos. Ainda assim os candidatos do PSDB e do PT (partidos rivais) possuem muito mais peso que ela.
    Ela deixou o seu partido (o PV) e fica agora a dúvida do que acontecerá e pra onde ela irá agora.

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