domingo, 31 de julho de 2011

O Negro na Mídia - Limitação e Estereotipação

Os negros, da mesma forma que os brancos e demais etnias, são dotados de suas particularidades. Não particularidades comportamentais exclusivas dos negros, mas sim particularidades típicas dos seres humanos. Quando digo particularidades, refiro-me física e mentalmente.Dois caucasianos não são iguais nem em físico e muito menos em comportamento e por mais que existam semelhanças, cada um possui sua própria personalidade e identidade. Com os negros não é diferente.


Perceba-se, no entanto, que no mundo da mídia (novelas, filmes, séries e publicidade em geral) há apenas algumas poucas figuras que representam, em físico e em comportamento, o homem negro e a mulher negra. Não é um fenômeno exclusivo do Brasil. 




O negro na mídia, principalmente na publicidade, é retratado em imagem sempre das mesmas formas: socialmente carente, trabalhador braçal, malandro ou atleta. Também é engraçado perceber que o cabelo  do negro na mídia possui apenas três variações: black power, ou com trancinhas ou curto quase raspado. Fora desses padrões o negro homem sempre é mostrado de cabeça raspada. Alguns podem argumentar que essas são as únicas opções possíveis, mas dizer isso só revelaria ignorância quanto ao visual do negro no cotidiano. Que visual é esse? Não existe um padrão, simples assim.


No dia em que todos os negros resolverem sair de casa com cabeça raspada, com trancinhas ou com black power, esse será um dia verdadeiramente memorável.

É interessante que a participação do negro na mídia tenha aumentado consideravelmente no decorrer das últimas décadas, principalmente a partir de 1988, quando a nova Constituição passou a enxergar o racismo como crime. Ainda assim a participação do negro é superficial e, pior, estereotipada.



Não podemos esquecer, é claro, do retrato que a mídia estadunidense faz dos seus negros. Eles sempre aparecem de forma extremamente afetada, caricata e em geral fazendo bobagens. Temos uma infinidade de filmes do tipo “Policial Branco Sério junto com Negro Tonto”, nos quais o negro passa o filme gritando, se estrepando e tentando, desesperadamente, nos fazer rir. Chris Tucker, Eddie Murphy e Martin Lawrence são os melhores exemplos de tudo isso. Já Will Smith, Denzel Washington e alguns outros atores parecem ter conseguido fugir desse estereótipo, embora vez ou outra os encarnem em algum filme.



Chris Tucker
Voltando ao Brasil, cabe ressaltar que o cenário atual no qual o negro possui “visibilidade” é um espaço que só faz perpetuar preconceitos e estigmas. É difícil fazer um prognóstico dessa situação, mas ao que tudo indica ela não tende a melhorar tão cedo. A cada ano que passa novas camadas de racismo mascarado envolvem essa redoma de desrespeito ao negro como humano.




Concluo deixando duas recomendações de leitura que considero bastante pertinentes:
* Presença do negro na mídia é marcada pelo preconceito
* Propaganda ainda usa os negros como estereótipos negativos


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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Guest Post: Impostos altos são necessários?

Conversando sobre economia com um amigo surgiu a questão da tributação. Como ele, Diego Rodrigues, é um estudante de Economia, na FEA, aproveitei pra fazer a seguinte pergunta:

* Os nossos altíssimos impostos são realmente necessários ou são apenas uma bengala utilizada devido à falta de capacidade, planejamento e administração do nosso governo?

Abaixo está a resposta:

Os nossos impostos altíssimos ao contrário não são nem um pouco necessários; claro que isso depende se o bem e/ou serviço estudado apresentam demanda e oferta elástica ou inelástica. Mas isso não vem ao caso. O problema é que quando o governo cria um imposto há também a criação do chamado peso morto, quem bem em tese se refere ao valor que um determinado setor da economia deixa de ganhar.

Por exemplo, se eu coloco imposto muito alto nos sorvetes as pessoas irão procurar outras fontes para substituir o sorvete, no caso suponhamos que as pessoas irão passar a consumir geladinhos. Como muitas pessoas irão consumir geladinhos por causa do alto preço dos sorvetes, algumas empresas de sorvetes irão fechar e/ou ir para outro ramo da economia, como de fato ocorre de muitas empresas fecharem e/ou irem para outro ramo da economia. Com isso o país perde um determinado valor e a isso damos o nome de peso morto.

Nesta questão temos exemplo de um bem que possui demanda elástica, ou seja, uma pequena variação no preço faz com que a quantidade vendida desse bem varie muito. Isso ocorre com os bens e /ou serviços que não são essenciais ou que tenham substitutos próximos, como a Coca Cola, Pepsi e bens supérfluos. O cigarro, por exemplo, possui taxação de 450% e esse alto imposto sobre o cigarro foi feito de certa forma até inteligente pelo governo, pois ele - o governo - pode arrecadar bastante carga tributária , já que o cigarro é um bem de demanda inelástica, ou seja, a pessoa que fuma não deixará de consumir o produto se houver variação no preço pois esses consumidores, na maioria dos casos, são viciados.

Já no caso do Ipad o governo está cobrando uma carga tributária alta para, em tese, proteger a indústria nacional, principalmente no que se refere às empresas de computadores portáteis, mas entra também a questão de que no Brasil não existe um imposto unificado.

Existe um imposto federal (cofins), estadual (icms) e municipal (ipi) o que acaba encarecendo ainda mais o preço dos produtos. Se existisse um imposto unificado o preço dos produtos seria menor e isso acontece em muitos países; inclusive, aqui no Brasil, existem propostas de reformas tributárias que são a favor dessa unificação dos impostos.
Na Suécia o valor dos impostos é de 54% da renda total produzida no país, mas lá as pessoas não tem que ter o fardo que nós temos aqui com gastos com saúde e educação. No Brasil os impostos representam 34 % do nosso PIB, mas quando esse valor alto foi criado, a intenção era que acontecesse algo semelhante ao que ocorre na Suécia.  Mas como no Brasil as coisas acontecem de forma muito lenta, isso acabou por se perpetuar até os tempos de hoje.

Os impostos elevados não são necessários para manter a máquina estatal em funcionamento.  Isso depende de país para país. No caso do Brasil, como foi citado e explicado acima, todo esse processo que envolve tributação ocorre de forma precária e, muitas vezes, desorganizada.
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terça-feira, 5 de julho de 2011

Acreditar não é uma escolha

Nós possuímos menos controle do que julgamos.
Acreditar ou não em algo não é uma decisão, independente do que se trate.
Parece bastante óbvio e, talvez exatamente por causa disso, muitos simplesmente ignorem. É muito comum ouvir discursos de ateus ou de teístas falando sobre “opções” de crenças. Isso não existe.


Uma ideia, crença, ideologia etc. pode ser forçada, pode ser embutida na mente de uma criança em desenvolvimento, por exemplo, mas não pode ser acreditada como se fosse um produto disponível numa loja a ser apontado e comprado. Se você disser a um louco para acreditar em algo, talvez ele consiga fazer isso, mas se trataria de uma grande ressalva.
 
Os caminhos que nos levam a adotar uma religião ou desacreditá-la fazem parte de um mecanismo muito mais complexo do que o simples ato de decisão. Um ateu pode não acreditar em fantasmas pelo fato de sua racionalidade o impedir de aceitar algo que para ele é ilógico. Não está nas mãos dele acreditar ou não nisso. Pode ler milhares de livros sobre o assunto e passar meses assistindo filmes sobre espíritos e ainda assim, mesmo que queira, não conseguirá reverter sua descrença.
 
Claro que um ateu pode tornar-se teísta e vice-versa, mas isso não é uma escolha. Pode até ser uma busca, mas nunca uma escolha. Sei que além de estar discutindo algo óbvio, ainda por cima estou sendo repetitivo, mas é bom ser enfático.
 
Algo sério que cabe aqui nesse tema é a questão da “lavagem cerebral”, independente do tipo. Mesmo que não esteja nas mãos de um indivíduo decidir no que vai acreditar, isso não o impede de, por conta própria, chegar as suas próprias conclusões. Concluir (individualmente, é claro) que céu e inferno não existem não é a mesma coisa que decidir, para que fique claro.

Acontece que maioria das pessoas não recebe essa oportunidade e já crescem tais quais robôs, sendo programadas. Nada as impede de formar um senso crítico mais tarde e questionar toda essa bagagem herdada de seus pais (ou quem quer que seja), mas é muito mais difícil.
 
Por isso que figuras como Richard Dawkins condenam que crianças sejam levadas para a religião, pois de acordo com ele e muitos outros intelectuais isso tira o direito da criança de desenvolver sua personalidade e conceitos por si só ou analisá-los de forma menos tendenciosa.

Já ouvi de amigos que não passar para o filho a própria crença é o mesmo que delegar isso para outros. Será?
Será que mesmo sendo bombardeada por diversos pontos de vista uma pessoa não consegue, durante o seu desenvolvimento, avaliar por si própria e filtrar o que considera menos verossímil? Somos apenas reflexos de nossos pais ou de nossa criação? Somos apenas um amontoado de características absorvidas do resto da sociedade? Existe algum individualismo?


A primeira imagem foi retirada do filme Laranja Mecânica (A Clockwork Orange - 1971), no qual o protagonista sofre uma série de tentativas de lavagem cerebral para que seu comportamento seja alterado.
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segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Capitalismo é melhor


Adendo em 26/02/2015

Caros leitores, quando escrevi esse texto eu ainda era um jovem e pretensioso padawan. Meus conhecimentos do tema tratado eram muito mais superficiais e vazios do que minha arrogância poderia supor.

Hoje a minha compreensão não é muito mais profunda, mas minhas opiniões são consideravelmente opostas e - gosto de acreditar - um pouco mais embasadas. Ainda assim, não tenho coragem de escrever outro texto sobre o assunto, justamente por me faltar estudo e bagagem, coisa que não consegui perceber na época.

Então fiquem à vontade para ler o texto, mas espero que possuam um bom filtro para bobagens e argumentos falhos.

Obs. Não, não estou dizendo que o comunismo é melhor, ou que x ou y é melhor. 

Boa leitura!


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Criticar e demonizar o capitalismo se tornou para muitos um exercício diário. Gostar do capitalismo é ser concentrador de renda, malvado, insensível. É tirar o sorvete da menina, bater na velhinha ou matar de fome as pobres e famintas crianças africanas.

A palavra maniqueísmo é a que melhor representa 99% das discussões sobre o assunto.  “Capitalismo malvado!”, “Capitalismo Tirano!”, “Imperialismo!”. Tente ir contra e logo será chamado de Fascista Nojento ou Puxa-saco dos Estados Unidos. Se você for pobre então e mesmo assim não acha que o Capitalismo é a reencarnação de Judas, automaticamente se torna um traidor do movimento ou um pobre iludido, sem personalidade.

As correntes mais comuns atualmente são as pró-comunismo. Diga que nenhum sistema baseado no comunismo deu certo e logo dirão que não aplicaram a coisa direito. União Soviética? Nhá! Stalin estragou tudo... Cuba? Cuba é um paraíso tropical, que isso... China? Ela abriu as pernas pro Tio Sam...
 
Muitos propõem a migração para outro sistema, mas complicado mesmo é apontar para qual. Do jeito que alguns falam, até parece que é só trocar Windows por Linux. A verdade é que o comunismo teve sua vez e se mostrou ineficaz. Os exemplos remanescentes são de dar pena...
 
Ao invés de sair por aí gritando e exigindo um mundo melhor, com nuvens de algodão doce e rios feitos de Nescau, considero muito mais produtivo discutir reformas. A história da humanidade mostra que revoluções no âmbito das economias tendem a ser, mais do que qualquer outra coisa, desastrosas. Claro que também há aqueles, um pouco mais moderados (ou menos radicais) que falam de uma revolução gradativa. Não sei se isso existe... Mas a questão aqui é que acredito piamente que o sistema vigente é melhor do que qualquer outro que já tenha sido tentado, levanto em conta, obviamente, o nosso contexto. Ele possui inúmeras falhas, sim, mas nada é perfeito.
 

Nesse ponto sou obrigado a concordar com as seguintes frases de Winston Churchill:
 
"O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual de benesses; o do socialismo é a distribuição por igual das misérias."

"A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".
 
Voltemos então às reformas: não precisamos nos acomodar com os males do capitalismo, com suas falhas, e deixar por isso mesmo. E, aliás, não deixamos. Reformas é o que mais fazemos, exatamente por não se tratar de um modelo estático e imutável. Desde 1929, data da maior crise econômica já vista, inúmeras reformas foram adotadas. E estamos aí, firmes e fortes, e olha que Estados Unidos e Europa ainda não se recuperaram da crise que teve seu início em 2008, o que parece uma ironia, considerando o que eu acabei de dizer. Aí está outra diferença fundamental entre Capitalismo e Socialismo. 

O modelo atualmente predominante passa por essas crises e sai delas fortalecido e aprimorado. No Socialismo qualquer leve intempérie era motivo para o fim do mundo. Não podemos nos esquecer de que já passamos por algo em torno de 46 grandes crises e que cada uma delas resultou no aprimoramento do sistema ou ao menos numa adaptação necessária apara a superação da crise.

Ou seja, o capitalismo e a democracia se adaptam e se fortalecem, enquanto o comunismo, quando sofre um tremor, desfragmenta-se.
"Nunca houve tanta miséria como agora!" Mentira! Proporcionalmente falando a miséria, a expectativa de vida, a participação social e demais aspectos melhoraram imensamente. Não faz sentido analisar a partir de um raciocínio unicamente quantitativo. Seis décadas atrás aproximadamente três bilhões (um pouco menos) de pessoas andavam sobre a terra, hoje, quase sete bilhões. Os números mudaram e poderíamos dizer que hoje mais pessoas morrem em comparação com o ano de1950, mas afirmar isso desconsiderando a alteração na quantidade de habitantes seria um ato de parcialidade manipulativa e leviana. Proporcionalmente falando, hoje a miséria é muito menor do que era antes.
 
Em suma, o capitalismo é melhor ou pelo menos mais eficiente, pragmaticamente falando, considerando o momento histórico em que vivemos. Por mais conservador que possa parecer, essa é a verdade. As mentes mais românticas e idealizadoras tendem a discordar. Nada mais compreensível. Não precisamos e não devemos nos submeter a tudo a que nos impõe, não precisamos aceitar tudo de cabeça baixa, mas, por favor, sejamos mais racionais e críticos.
O Capitalismo está morto - Será?
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