segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Perigo da Idealização

Fotografia de artigo no jornal O Kula
Recentemente escrevi um texto que não tinha a intenção de postar aqui. Era uma crítica a dois textos que foram publicados pelo jornal “O Kula” (jornal do Centro Acadêmico do curso de Ciências Sociais da USP), escrito por estudantes do curso de Ciências Sociais. O que me incomodava nesses textos era o fato de um idealizar a imagem do Lula e retratá-lo como o salvador da pátria e o outro referir-se ao capitalismo como sistema “indefensável” sem ao menos explicar o motivo.

Acontece que no sábado me deparei acidentalmente com o máximo da idealização numa exposição que homenageava o Lula. O problema não está na exposição, que era linda, com fotos realmente fantásticas. O problema também não está na homenagem em si. O grande problema (e perigo) estava no texto do antropólogo Antonio Risério, que precedia a entrada na exposição de fotos

Trecho:

“Homo Brasilis”. Se existisse esta categoria antropológica, ela viria a calhar, numa definição do nosso Luiz Inácio Lula da Silva. (Antônio Risério)

Antônio Risério

Abaixo  está o texto que escrevi para o jornal O Kula como réplica aos outros dois já citados.

Esquerda Radical - Vazio e Idealização

Existe e predomina na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - USP) uma chamada “Esquerda Radical” que pelo simples fato de ser radical não está aberta ao diálogo. Como qualquer movimento social moderno, diz-se tolerante e reflexivo, mas na prática demonstra uma face de dogmatismo. E o termo “dogma” se encaixa perfeitamente ao comportamento de muitos que se autodenominam radicais.

A esquerda juvenil que gasta sua voz berrando “Companheiros” e “Camaradas” apenas debate entre si e esconde por baixo de sua imagem caricatural uma ausência de argumentos sólidos e aplicáveis.
Na Edição #2 do Kula isso ficou bastante evidente em dois textos. Um que idealizava o ex-presidente Lula e retratava o próprio posicionamento político como anseio do povo brasileiro. Não havia discussão ou dúvidas, apenas conclusões. Falou-se em “fortalecimento dos setores democráticos” no governo Lula, mas nenhum foi citado. Falou-se também em “setores golpistas”, sem discorrer nem por uma única linha quais setores seriam estes. Ficou então no ar a também caricata figura imaginária de uma direita má e imperialista que trabalha arduamente para prevalecer sobre os demais. Maior maniqueísmo impossível.

Em outro texto, no qual havia um posicionamento contrário às disciplinas “Fundamentos de Economia para as Ciências Sociais” (oferecida pela FEA) e “Noções de Estatística” (oferecida pelo IME), bradou-se ainda acerca de um determinado sistema que seria indefensável: o vigente. Mas como é típico dos radicais, nada foi explicado, como se fosse um fato indiscutível.

Quando tudo está muito certo, quando uma “verdade” está lapidada, em geral há algo errado. Se uma voz se diz a própria “verdade”, em geral há algo errado. Quando figuras humanas surgem tais quais deuses a serem venerados, em geral há algo errado. E se há algo que a história nos mostra é que a idealização de conceitos e de pessoas dificilmente gera resultados positivos.

5 comentários:

  1. Que bom que decidiu postar. O cérebro paralisado da esquerda radical é emotivo e religiocêntrico. São incapazes de virar a página, mudar de século, reconhecer novos padrões. Para eles, não importa quanto a realidade técnica e cultural se transforme, elas são superestruturas sem poder para afetar a história. Em seu destino manifesto, sempre há uma revolução, em algum lugar, de preferência armada, o "verdadeiro motor" da história. Chafurdam no anacronismo, sonhando com o dia em que imporão suas noções a todos, para o nosso próprio bem. Pior que o capitalismo, só mesmo esse pessoal.

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  2. A esquerda é maluca! quer subjugar o povo ao mesmo padrão! qualquer padronização é um atraso evidente na Evolução de uma Sociedade...o argumento que os homens agem na má fé por isso não poder ser ''livres''(capitalistas)é retrógrado.

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  3. O que me incomoda mesmo é a idealização que alguns deles fazem do próprio posicionamento político e ideológico.

    Fora isso também tem a questão da ausência de diálogo. Sem falar do maniqueísmo excessivo.

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  4. Kula é um sistema de trocas bastante interessante de um povo de um conjunto de ilhas da Nova Guiné.

    Objetos considerados de grande valor vão sendo passados entre os integrantes mais ilustres desses povos, formando um processo gigantesco de trocas que está fora da noção dos próprios integrantes dessas ilhas. O mais intrigante é que ao final do processo tudo é queimado.

    Todo o processo de troca ocorre através de rituais e tradições da região.

    O jornal adotou esse nome para passar a ideia de troca de conhecimentos e informações entre os diversos publicadores.

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