sexta-feira, 25 de novembro de 2011

USP - Sobre as assembleias, a ocupação da reitoria e outras questões

Discordo quando dizem que as assembleias que ocorrem na USP representam os anseios de toda a universidade. Acredito que esteja longe de alcançar isso. As assembleias são importantes, claro, mas, nos moldes atuais, elas não possuem muita credibilidade. Um ótimo exemplo é o fato de a maior parte da USP simplesmente não ter acatado a greve geral convocada em 08 Novembro.
É um ato de extremo reducionismo dizer que quem não participou das assembleias ou não encaminhou propostas é inerte. A verdade é que nessas assembleias existe uma concentração de alunos com tendências políticas bastante homogêneas, uma extensa partidarização (PSOL, PSTU, PCO etc.) e, além disso, grupos que se organizam de forma a impedir (com vaias ou hostilização) que outros pensamentos ou propostas sejam discutidos. Na primeira assembleia teve tapas, empurrões e até latas com cerveja foram atiradas em colegas que queriam expor opiniões divergentes.

Também não podemos esquecer que a ocupação da reitoria não foi legítima. Os alunos (e eu estava entre eles) votaram pela não ocupação, mas, mesmo assim e deixando de lado quaisquer princípios democráticos, eles - a ala mais radical e supostamente revolucionária - simplesmente invadiram/ocuparam. Para mim o termo ocupar é um eufemismo nesse contexto.
É mais do que evidente que a mídia retrata os alunos da USP de forma extremamente estereotipada e não expõe de forma adequada as suas propostas e ideias, mas, ainda assim, esses mesmos "revolucionários" não são assim tão altruístas como se querem fazer parecer. Existem questões (ligadas principalmente aos sindicatos ali presentes) que dão uma perspectiva um pouco diferente do comportamento desses alunos.

E, para esclarecer, acredito que a ocupação é sim uma forma válida de revolta, reivindicação e pressão e concordo com muitas que já foram realizadas antes, na USP ou em outros locais, mas essa última que ocorreu já nasceu equivocada e sem o apoio dos próprios alunos presentes na assembleia.

Voltando para a questão da greve, vale também lembrar que a liberdade individual de muitos  alunos interessados em assistir as aulas está sendo cerceada e deliberadamente desrespeitada. Na Letras alunos foram impedidos, em alguns momentos, de entrarem no prédio. Já no prédio do curso de Ciências Sociais, por exemplo, as cadeiras foram retiradas das salas. Lembrando que os professores se reuniram e decidiram NÃO participar da greve convocada pelos alunos.

Também não podemos esquecer de um fator muito importante e que é ignorado pela esmagadora maioria dos alunos que convocaram a greve: realização de plebiscito. Muitos já pediram a realização de plebiscito, incluindo CAs (Centros Acadêmicos), como o da POLI, e, no entanto, isso foi deixado de lado. Alguns chegaram a dizer que o plebiscito não representa o tipo de democracia ideal para a universidade. Pura estupidez. Democracia é democracia. Para as questões chaves, como a presença ou não da PM no campus, ou mesmo na questão da greve geral, um plebiscito deveria ser convocado e, após período de debates, votado.
Acho que não preciso dizer o motivo pelo qual o tema “plebiscito” é forçosamente deixado de lado e menosprezado por alguns que se dizem democráticos e interessados na real representação de toda a universidade.

Em suma, a intenção com esse post era relatar a minha visão particular de parte dos eventos ocorridos na USP e expressar meu descontentamento; as assembleias não são representativas, muitas decisões são arbitrárias e muito do que se diz em nome de todos os alunos na verdade diz respeito ao consenso de uma minoria.

Confira a réplica da Leticia G. Garducci:

*Todas as fotos do post foram tiradas por mim. Acho que isso fica evidente pela falta de habilidade com a câmera do celular.

Um comentário:

  1. Legal ler sobre isso! Faz algum tempo que eu já não ouvia falar nas repercussões da "confusão" da USP. Perdeu o interesse para a mídia, pelo jeito. O guest post também ficou muito bom! Torço para que as coisas que tem que ser discutidas encontrem espaço aí, de qualquer modo que isso acontecer.
    Abraço!

    ResponderExcluir