terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Estupro no BBB – Quem se importa?


Monique e Daniel
O título desta postagem faz referência a inúmeras frases idênticas ou semelhantes que proliferam na internet desde o início da polêmica em torno do suposto¹ abuso sexual que a participante do reality show, Monique Amin, teria sofrido. Registrado em vídeo, o modelo Daniel Echaniz aparece fazendo movimentos embaixo do edredon que divide com Monique enquanto a mesma permanece imóvel e aparenta estar desacordada.
O cerne da questão aqui não está na conclusão que esse caso terá, mas sim no posicionamento que inúmeras pessoas adotaram diante dele. Posicionamento machista, inconsequente e, em diversos níveis, preconceituoso. Dentre os incontáveis comentários condenáveis sobre o ocorrido, percebe-se grande coesão em torno de três eixos que podem ser resumidos nas seguintes afirmações: 1°- ela estava bêbada, 2° - ela deu a liberdade, e 3° - Estupro no Big Brother... Quem se importa?

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Notem que através de argumentos que transferem para a vítima toda a responsabilidade dos acontecimentos há uma tentativa de descaracterizar o abuso. A vítima então passa a figurar como a causadora dos males que lhe sucederam, seja por “não se dar ao respeito” ou por ter ficado embriagada. Essa “lógica” obviamente configura machismo uma vez que parte do princípio de que existe um modelo de comportamento que deve nortear cada passo dado pela mulher; como se transgredir alguma norma - ainda mais uma machista e arcaica - fizesse de alguém uma pessoa estuprável². Além disso, também tentam relativizar o abuso ressaltando para o fato de que a vítima estava embriagada, sugerindo que beber muito e ficar vulnerável significa um convite ao estupro, novamente retirando dos ombros do estuprador/abusador a responsabilidade pelo crime cometido.

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Outro fenômeno, aliás, bastante clicherizado e no caso extremamente irracional (não que os anteriores não o sejam) é o que tenta desqualificar o violamento pelo simples fato de ter acontecido no Big Brother. Existe uma tendência pseudo-intelectual que taxa como acéfalo qualquer um que fale sobre esse reality show.  O grande absurdo é que essas pessoas parecem não entender que não se trata do Big Brother, mas sim do estupro. E é por isso que afirmei no início do post que o preconceito se estende por várias camadas, pois além do machismo, falso-moralismo e conservadorismo, também fica perceptível esse elitismo vazio e infantil.

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Respondo então à pergunta que está no título: eu me importo! E se você, pelo contrário, não está nem aí, talvez esteja na hora de rever conceitos e buscar aconselhamento psiquiátrico.

Para concluir quero indicar alguns textos que se aprofundam mais no tema e abordam outras questões ligadas a ele.


·         Bial, O Cínico




“Não são as mulheres que precisam aprender a evitar e se prevenir contra estupros, são os homens que precisam aprender que não podem estuprar.” (Fonte)

“Mulheres não são estupradas porque são vagabundas ou usaram saia curta; elas são estupradas porque alguém as estuprou.”

1: Digo "suposto" pois até o momento não houve nenhuma investigação e condenar alguém sem julgamento não é algo lá muito democrático. Sim, tem um vídeo que deixa tudo bastante evidente, mas antes de dizer que de fato houve um crime é sempre bom analisar profundamente e considerar todas as hipóteses.

2: Suspeito que essa palavra não exista.
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