quinta-feira, 26 de abril de 2012

Cotas Raciais - Argumentos a Favor

Já há no blog um post sobre cotas, no qual exponho alguns dos principais argumentos utilizados contra elas. Agora escrevo a segunda parte, há muito tempo prometida, colocando os argumentos a favor e tentando refutar os que se posicionam contra.

O que mais se diz é que combater racismo com racismo é ironia. E de fato o é. Mas dizer isso é partir do pressuposto que o uso de cotas segrega e esse não é o caso. Aliás, é o oposto. Esse pensamento é reducionista e desconsidera um cenário que justifica essa política de ações afirmativas. Não se trata de dar privilégios a um grupo por considerá-lo melhor ou menos capaz, mas sim de reduzir o abismo histórico entre etnias, promovendo um contato até então pouco comum, ou seja, dentro da universidade. 

Alguns falam em reparação histórica e social, mas talvez o termo “
reparação histórica” não seja o melhor, já que não há nada que se possa fazer para apagar estas páginas vergonhosas da nossa história. Mas é óbvio que isso não nos impede de lidar com a situação atual. Portanto, há muitas medidas que podemos - e devemos - usar para tratar essa ferida que sangra até hoje. Com o tempo, quem sabe, ela se torne apenas uma cicatriz, ainda que isso não anule o seu passado. 

Também há quem diga que é apenas um paliativo e que, no fim das contas, não resolve nada. Que é paliativo é verdade, mas isso não implica em inocuidade, no sentido de que não faz diferença. A maior parte dos negros no país não possuem as mesmas oportunidades que os brancos e não será com as cotas que isso irá mudar, mas é um passo nesse caminho.

No artigo intitulado “O Peso da História: A Escravidão e as Cotas”, o escritor Alex Castro discorre sobre como o peso histórico pode influenciar gerações e de como, no caso dele, o rumo das coisas foram completamente diferentes por não haver uma instituição coercitiva que limitasse as possibilidades dos seus antepassados. É interessante, pois percebemos como a criação de uma base é crucial para o desenvolvimento de uma família e de uma sociedade.

O branco atinge o topo escalando pelas cotas do negro e depois se desculpa pelo racismo cometido, porém recusa-se a ajudá-lo a subir também, alegando que fazer isso seria mais um ato de racismo.
Sim, existem brancos vivendo à margem do desenvolvimento e em situações às vezes tão degradantes e privadas de possibilidades quanto qualquer minoria desfavorecida e pode parecer injusto que alguém, apenas por ter uma tonalidade diferente de pele, possa ter “privilégios”. Mas entra aí uma palavra bastante recorrente nesse blog: contexto. Primeiro que de um lado temos todo um peso histórico e uma sociedade que funciona através de mecanismos preconceituosos que tendem a puxar o negro para baixo ou mantê-lo estagnado, e segundo, que mesmo entre os mais pobres, os negros ocupam, em geral, uma condição ainda mais degradante. Isso não ocorre por déficit intelectual ou qualquer coisa do gênero. É um reflexo de todo o racismo, discriminação e privação que marcou a história de uma etnia.

Então repito: é um grande reducionismo querer simplesmente taxar de racista uma ação afirmativa que visa modificar, ainda que minimamente, uma realidade decorrente de uma desigualdade histórica. Além da inclusão do negro (ou do indígena) na universidade, tão importante quanto é a interação que se dá por meio disso, Interação que não existia, uma vez que o negro não ocupa tais espaços ou, quando ocupa, é em um número extremamente inferior. Lembrando que tais cotas não entregam de graça vagas em universidades públicas (ou particulares, em programas como o PROUNI) e que é necessário lutar por elas. Os que conquistam essas vagas estão tão preparados quanto qualquer outro que tenha ingressado por ampla concorrência.

Essa é a minha opinião. Fique à vontade para comentar e expor a sua também. Você também pode seguir a página do blog no Facebook e no Google +. Ou seguir o autor do post no Twitter. 

47 comentários:

  1. Argumentos malucos contra as cotas existem aos montes. Na época que começaram a ser implantadas ouvi até alguém dizendo que as cotas iriam causar uma guerra civil entre brancos e negros. Pensa bem.

    Não acredito em cotas "para sempre", mas como tu disseste, como paliativo já é um grande passo. Não temos uma cultura do povo querer entrar na universidade, é como se fosse uma coisa que só pertencesse a certas classes, certas famílias. Enquanto os brancos ricos às vezes são "empurrados" para a universidade, mesmo sem muito talento, em geral @ negr@/índi@ tem que ser aguerrido e inteligente acima da média, porque sofre muita pressão. Se alguns anos com cotas mudarem um pouco essa cultura, a medida já terá se provado acertada, eu acho.

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    1. Suuuuuper concordo, minha cara. As cotas é uma maneira de portas serem abertas. Alias, portas que serão obrigadas a se abrirem, uma vez que a sociedade não aceita. Como foi bem dito no texto, são maneiras paliativas, não eternas. Esse processo vai ajudar não somente as pessoas socialmente excluídas, mas tambem a sociedade a se educar.

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    2. Olá, me chamo Eduardo, e gostaria de deixar um recado. Primeiramente sou total a favor das cotas sociais e também raciais, desculpe-me o termo mais não admito tanta "merda" aqui defendida contra as cotas, vocês que defendem as cotas não sabem o que é ser negro e vir de uma escola pública num país como o Brasil, no qual só o fato de você ser preto, já é um fator de definirá uma determinada porcentagem a menos que você irá ganhar se comparado com o de pele branca ocupante de mesmo cargo, isso comprovado em pesquisas. Onde que por mais que o aluno lute para absover os conteúdos numa escola pública, não há professores qualificados, e mais ainda dispostos a lecionar, senhores que por sinal não cotista se informem mais também para saber a políticas de cotas, para não defenderem argumentos imprecisos ou erroneos.
      Sou uma prova viva desse abismo entre as escolas públicas e privadas, consegui com muito esforço passar numa universidade pública só que devido, a um bagagem que não adquirir no meu ensino médio, não pude acompanhar o curso e tive que por assim largá-lo, não por falta de esforço, mais por algo que não recebi, uma EDUCAÇÃO DIGNA. Consegui me forma hoje sou engenheiro e agradeço muito pelas cotas. E me desculpem pelos erros de português, digitei muito rápido.

      EDUARDO MAGNO SILVA DE SÁ.

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    3. Concordo plenamente caro Eduardo..estou concluindo o curso de direito numa universidade particular..o tema de meu tcc será essa matéria..lamento muito em que a maioria das opiniões contra vem exatamente de pessoas de cor..e como nas opiniões de muitos,o sistema de cotas é apenas um paliativo para reduzir o tamanho das desigualdades,fruto de severas injustiças em que os cidadãos de cor e outros sofreram e que as benesses dessas injustiças foram herdadas por outros cidadãos..Dessa forma,é razoavel que estes suporte o ônus do sistema de cotas..Não se pode alegar "igualdade", estatuída no artigo 5º da Constituição Federal em que as desigualdade é fruto de injustiça perpetrada pelo Próprio Estado brasileiro e que,cabe a este novo Estado de direito desenvolver políticas públicas eficientes de maneira a poder mitigar essa colosssal desigualdade existente entre pessoas em nome da IGUALDADE que reza a constituição.

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  2. Guerra civil entre brancos e negros??? Fico surpreso de perceber que ainda sou capaz de me espantar com a estupidez de certas pessoas rs.

    Ah, eu li seu post sobre o assunto. Muito bom. Sobre a evolução, na verdade ela ocorre através da Seleção Natural. Mutações espontaneas ocorrem e o que é útil é mantido. Mas o que você disse não está errado não rsrs.

    Abraço

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  3. Minhas dúvidas sobre o sistema de cotas são as abaixo, alguém poderia me responder?

    Haverá um Tribunal Racial, segregando e fomentando o racismo para definir quem tem direito as costas?

    Por quê não oferecer ensino básico de boa qualidade para todos? Não seria mais justo?

    Um branco que estudou em escola pública como eu, tem mais condição em passar em vestibular para universidade pública que um negro que estudou na mesma escola ou em escola particular?

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    1. Eu respondi suas perguntas no texto. Eu entendo o que você quer dizer. Ninguém está dizendo pra não investir em educação; é o oposto. Ocorre que, considerando a realidade atual dos negros no país, apenas isso não basta. Mas como já foi dito, essa não é a solução, mas sim uma medida paliativa que possibilite mais possibilidades/oportunidades.

      Claro que no caso que você citou isso pode parecer injusto, e talvez, em certa medida, o seja. É justo que, entre dois alunos, ambos de escola pública e provenientes da mesma classe social, um deles possua benefícios a mais por possuir a pele mais escura? Apenas com essas informações é óbvio que a resposta será não. No entanto a coisa não se resume nisso. A porcentagem de negros que atingem a universidade, comparada com a de brancos, é infima. E aí já entram vários outros fatores que explicam isso e deixam evidente que aqueles dois alunos supostamente nivelados não são tão nivelados assim.

      Ninguém é melhor que ninguém. Isso não quer dizer que um grupo prejudicado histórico e socialmente não possa receber um apoio e estímulo maior.

      Abraço

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  4. Cotas raciais não são uma atitude em si racista. Porém os termos de que se utiliza para o ingresso de cotistas nas universidades demonstra um atitude de pobre nivelamento quanto a estes alunos. Contudo como medida paliativa tem o seu emprego, como ocorreu nos Estados Unidos nos tempos cruciais da segregação.

    O caso também é que a nós, Brasil, ver uma perspectiva de substituição da ação afirmativa por medidas educacionais a longo prazo é de um tato delicado e inseguro à depositar os créditos, uma vez que o histórico do paliativo como reduto politica é fato.

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    1. Concordo com você. Mas espero que tais medidas não sejam utilizadas como se fossem a solução. Acredito que são necessárias, mas é preciso muito mais que isso para começar a tratar o assunto de forma mais séria.

      Obrigado pelo comentário!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Oi Sybylla!

      Acho que mais do que uma reparação histórica, as cotas funcionam como um mecanismo de integração. Mecanismo necessário para ajudar, ainda que aparentemente de maneira injusta, num quadro bastante complicado que possuímos na nossa sociedade. Não é a solução final, claro, e pode parecer injusto com alunos brancos e de baixa renda, mas acredito que é um passo necessário, embora temporário.

      Mas também existem ações afirmativas para pessoas de baixa renda, estudantes provenientes de escola pública e até para índios e deficiente físicos, dependendo da universidade.

      Sei que você é professora e entende muuuito mais do que sobre o assunto, mas essa é a minha visão sobre ele. Mas nada é imutável rs Posso mudar de opinião. Até poucos anos eu era completamente contra cotas raciais.

      Obrigado pelo comentário! Abraço

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    2. *entende muuuito mais do que EU sobre

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  6. Penso que devido os esclarecimento oferrido pelo blog consegui obter uma visão diferente a qual eu tinha e parabéns vocÊ está no caminho certo.

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    1. Obrigado! Fico feliz que eu tenha ajudado a esclarecer o assunto para você!

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  7. É um absurdo existirem essas cotas raciaia, pois estao querendo consertar um erro com outro erro ! Todos nao deverao ter direitos iguais ??? Isso sera muito prejudicial ja que alunos despreparados estao ocupando a vaga de preparados, abaixando o nivel das faculdades, assim, o brasil tera escolas e faculdades ruins !!! O que é necessario fazer é melhorar as escolas publicas, sim, é mais demorado, mas é o jeito de acabar com um erro historico.

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    1. Você se engana. Os dados mostram que o desempenho dos alunos que ingressaram nas universidades através de ações afirmativas possuem um desempenho igual a dos demais alunos. E outra, as vagas não são dadas a alunos "despreparados", mas sim a estudantes que conquistaram as vagas. Quanto ao nível cair, isso não aconteceu até agora e o cenário nos países que adotaram essas medidas foram bastante positivos.

      Vestibular e universidade são coisas completamente diferentes. Enquanto um valoriza a decoreba, o outro (universidade) preza pelo verdadeiro aprendizado e aprofundamento e, nesse campo, nem os alunos que entraram por ações afirmativas para formados em escola pública ou ações afirmativas para negros demonstram um resultado menos satisfatório que os que ingressaram por ampla concorrência.

      Obrigado pelo comentário! Abraço

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  8. eu sou contra cotas racias, e sou a favor de melhora na educação pública, pois se todas as escolas públicas fossem de boa qualidade com professores bem pagos e motivados nada disso existiria. eu estudei numa boa escola pública e não sou pobre, mas só pq eu tenho uma condição financeira maior significa q sou obrigado a estudar em instituições particulares? uma pessoa rica que paga tanto impostos quanto ou até mais que os pobres não podem ter ensino gratuito? isso é ridículo, todos temos direito de ter acesso a um ensino de qualidade e gratuito (ninguém quer pagar pra estudar), e muitas das universidades privadas não são boas. por isso acho q negros, brancos, amarelos, ricos, pobres, homens, mulheres...todos somos iguais e temos a mesma capacidade de aprender, só basta querer e se esforçar, e é claro que o governo tem q se mover e investir na educação.

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    1. Oi Wagner, obrigado pelo comentário. Também acho que a preocupação maior deva ser com a melhoria do ensino básico e fundamental das redes públicas, mas, na minha opinião, não podemos simplesmente negligenciar os milhões de jovens que precisam de apoio hoje. Ações afirmativas, embora não resolvam o problema, ajudam muito e geram inclusão. O aluno que estuda em escola particular possui um perfil bastante diferente do aluno da rede pública, possui também, em geral, um domínio muito maior do capital cultural que é mais valorizado pelas escolas/universidades e não será prejudicado por medidas como estas; suas chances de estudar, crescer profissionalmente e fazer carreira não serão menores com ações afirmativas que ajudem estudantes negros e estudantes de escola pública.

      Abraço

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  9. Excelente texto, Fernando! Mais claro que isso, só desenhando.

    Mas sempre aparece alguém pra dizer que a cota é um erro porque todos são iguais, mulheres, índios, negros, etc - lindo, né? pena que NÃO reflete a realidade.

    E a criação de cotas NÃO ANULA a melhoria do ensino público, qual a dificuldade das pessoas entenderem isso?

    As pessoas preferem se esforçar em malabarismos retóricos para continuarem acreditando que as cotas são um erro, do que entender porque elas são necessárias. E seguem achando normal o fato de quase não terem colegas negros na faculdade.

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    1. Obrigado! Muita gente simplesmente desconsidera todo o contexto em que vivemos e usam discursos batidos que não enxergam todo o cenário. Claro que o ensino público precisa ser melhorado, mas é como você disse, uma coisa não anula a outra.

      Obrigado pelo comentário! Abraço

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  10. Comentando em agosto, mas tudo bem né?
    Gostei muito do seu texto Fernando. Não sou a favor de cotas raciais, mas é bom ver um texto bem escrito sobre o assunto.
    Não ignoro o fato aqui exposto de que o Brasil (como várias outras nações ao redor do mudo) tem sim uma dívida histórica com a sua população negra, uma dívida muito grande. Mas acho que as cotas raciais não são a maneira de reparar. Acho que tocam em uma questão muito difícil em nossa sociedade por dois motivos:
    1) Inegavelmente, somos um país de grande, GRANDE miscigenação. Eu, por exemplo, sou branca de pele. Entretanto, tenho familiares negros bem próximos, e inclusive posso me declarar negra legalmente e participar do sistema de cotas. Nunca fui discriminada por minha cor, e eu não mereço a reparação oferecida, contudo, tenho direito legal à ela. Eu sou só um exemplo, mas isso ocorre com grande parte da população.

    2) Acredito que a segregação recorrente das cotas não provém da ação propriamente dita, mas sim da população. O racismo é um daqueles fantasmas da nossa sociedade, que não é tão ativo quanto em outras nações (como o que foi nos EUA) mas existe em muitas, muitas pessoas, mesmo que escondido. Acho que com as cotas qualquer negro que estude em uma instituição pública vai ser desmerecido por outras pessoas - novamente, isso pode não ocorrer de forma explícita -, tendo ele entrado pelo vestibular regular ou pelo sistema de cotas. E inclusive, antes mesmo do problema da segregação nas universidades, vem o problema do preconceito na própria questão de concordar ou discordar das cotas. Já vi muitas pessoas contra com argumentos ridículos como que os negros vão 'emburrecer' as universidades públicas, e vi muitas pessoas a favor dizendo que todos que são contra são brancos ignorantes e racistas. O preconceito vem de todos os lados, e as cotas tanto são um catalisador que já podemos ver esse tipo de coisa acontecendo por aí :/

    Para mim as cotas não são um problema em sua concepção, mas sim em sua realização. Não é prático - na minha visão.

    Espero ter enriquecido um pouco mais a discussão :)

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    1. Oi Marina. Tudo bem?

      Concordo que somos um povo bastante miscigenado e que isso pode gerar algumas confusões, como a questão do "quão escuro precisa ser para se enquadrar dentro do programa de cotas?". Lembrando que é auto-declaração e não existe um fiscal que vá avaliar isso. Mas vejo isso como algo menor e que acaba não sendo tão relevante quanto a inclusão que essas ações afirmativas são capazes de trazer.

      Claro que existem aqueles que não olham com bons olhos o sistema de cotas e outros que vão mais além e julgam como menos capazes aqueles que ingressaram nas universidades através desse sistema, mas o fato é que o racismo já está aí e não faz sentido, a meu ver, deixar de implementar uma ação importante como essa com medo do racismo que esses alunos possam vir a sofrer, sendo que eles já o sofrem.

      Mas olha, tem um artigo bastante interessante e que trata de alguns tópicos centrais. Como já respondi vários comentários, expondo a minha opinião (além do post em si), acho que esse artigo tem mais a acrescentar agora.

      Artigo: Os 10 Mitos Sobre as Cotas: https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=53

      Muito obrigado pelo comentário! Sempre fico alegre quando as pessoas participam das discussões aqui do blog.

      Abraço

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  11. Olá Fernando, tudo bem?
    Eu sou estudante de um colégio particular do interior do Paraná. E hoje estou aprofundando um estudo mais complexo sobre as Cotas Raciais e Sociais, e aqui no seu blog eu pude encontrar 2 opiniões distintas e extremas, que me chamou muito a atenção. No seu texto argumentativo, você aborda assuntos tão pensantes, que nos faz refletir por horas, nos questionar e querer instigar sempre mais. Estou comentando aqui nos "Argumentos a Favor", mas saiba que li os contras também. E me fascinou uma coisa, como você consegue enxergar cada pergunta que um leitor pode ter. As pessoas hoje em dia nem se quer sabem como foi seu passado, nem tentam se perguntar como tudo aconteceu, para dar aqui, no que deu. Eu tenho apenas 16 anos, mas minha opinião está formada sobre tudo isso, posso ser considerada mais uma na sociedade, uma adolescente que não sabe ainda o que quer. Mas muitos se enganam, eu sei muito bem o que eu quero, pode estar cedo, mas um dia quem sabe, se for da vontade de Deus, eu não me forme em Direito, sem precisar me chatear ou se quer reclamar das cotas. Este ano já faço vestibular, mesmo sendo treineiro, é uma forma de eu já me acostumar com esse mundo, e é por isso que eu estou tão certa de querer conhecer mais sobre as cotas. Minha cor é branca, mas nem por isso digo que as cotas são racistas, não sou contra, mas nem a favor. Não refiro a mim como em cima do muro, sem alguma escolha concreta, pois depende do momento certo, da hora correta. Para os negros, as cotas são questão de orgulho, de bater no peito, e dizer: Vencemos. Pena que são poucos os que olham para nossa historia, e enxergam a injustiça que ocorreu, essa escolha das Cotas raciais e sociais não é algo ruim e tão incorreto como algumas pessoas tentam afirmar. As cotas são paliativas, não será para sempre. E isso é algo bom, é uma maneira de se desculpar, quem sabe, por todo o erro histórico que um dia ocorreu. Pode ser uma maneira de jogar toda a poeira e lixo para debaixo do tapete? Quem sabe não é mesmo? Vai de cada opinião, mas parados é que eles não estão. As cotas são uma maneira de inclusão, mas não que eles são incapazes. A confusão é grande, as opiniões são contraditórias e totalmente equivocadas, mas nem por isso devemos tampar o preconceito com mais preconceito, é uma maneira de acalmar o que passou, temporamente, uma ajuda para a auto-confiança e vindo dos negros isso é uma vitória e não uma derrota de auto-estima. Devemos estar certos do nosso passado, e que no presente está tentando ser concertado, um futuro melhor esperamos, para um dia quem sabe, sem cotas, sem tentar tampar o sol com a peneira, iremos seguir com uma educação de qualidade, onde quem quer um diploma, conseguirá, por esforço próprio.

    Espero com meu pouco conhecimento sobre as cotas ter colaborado com meus argumentos e opiniões.

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    1. Oi! Tudo bem sim.

      Deu pra ver que você realmente considerou vários pontos de vista e refletiu sobre o assunto. Mas quero ressaltar que as vagas são disputadas e que muitos lutam por elas. Um dado engraçado, por exemplo, é que no PROUNI às vezes acontece de a nota de corte das vagas para cotistas ser maior que a nota de corte destinada para ampla concorrência. Engraçado, né?

      Então é como você disse, essa medida não resolve a situação, mas, a meu ver, tem potencial para trazer muitos benefícios. E já está trazendo.

      Boa sorte com o vestibular! Mesmo estando prestando como treineiro, já conta como experiência.

      Abraço

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  12. Cara, meus parabéns pelos textos tanto prós quanto contras. Tua percepção é total e perfeita sobre o tema.
    A questão histórica (a principal, ao meu ver) é sempre deixada de lado quando se argumenta sobre cotas raciais. Fala-se muito em "combater o racismo com outra forma de racismo", um argumento bastante superficial; como ser racista quando se busca uma merecida inclusão de uma classe que sempre foi - e ainda é - jogada para escanteio na nossa sociedade? É difícil debater esse tema com os novos justiceiros (existentes aos montes), que se dizem antirracistas ao negligenciar essa parcela da sociedade em nome da "meritocracia".
    Parabéns pelos textos novamente.
    Abraço

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    1. Obrigado! Fico feliz que você tenha gostado. Espero que continue vindo ao blog e acompanhando.
      Abraço

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  13. Adorei os argumentos. Sou aluna de escola publica e sou a favor. Aliás, foi pra mim de muita utilidade. Em minha escola, irei participar de um debate sobre as cotas sancionadas recentemente pela nossa presidente. Me ajudou muito a reforçar minha opinião. Agradeço desde já!

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    1. Oi, Giselle! Fico feliz que meu texto tenha sido útil pra você! =)

      Abraço

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  14. Sou hoje totalmente a favor das cotas raciais. Sou branco de olhos azuis e tive uma infância muito pobre. Hoje faço doutorado na Unicamp e tenho certeza que se minha pele fosse escura eu não estaria onde estou. Já presenciei diversas manifestações de preconceito contra negros, muitas por parte de educadores e empregadores. Considero que no caso do vestibular há uma pré-seleção brutal e não-explicíta de brancos. Considero que, mesmo tendo sido quase miserável, fui muito privilegiado por ser branco de olhos azuis e com sobrenome alemão. É como se eu já fosse superior aos meus colegas - mesmo tendo notas um pouco acima da média. Acho que só o fato de eu saber como me portar em público já é um privilégio passado às pessoas de pele clara. Uma ironia do destino é que minha avó é negra e é cheia de preconceitos contra negros, o que acho muito triste, mas que deve mudar. Não dá para viver mais no século XIX, eu pelo menos não aguento mais.

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    1. É exatamente isso que muitas pessoas têm dificuldade de entender. Não se trata apenas de uma questão financeira, mas também - e principalmente - social. As barreiras e obstáculos não são iguais para todo mundo e, para alguns seguimentos da população, são ainda mais intensas e difíceis de transpor. Então, como eu disse, ações afirmativas e cotas podem ser muito positivas, embora a solução do problema não esteja somente nelas.

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  15. Ola Fernando,
    Então eu ainda não tenho uma opinião formada sobre as cotas, mas o seus comentários me ajudaram a solucionar muitas dúvidas que eu tinha, obrigada !!
    Porém ainda possuo algumas e gostaria que você me ajudasse, se possível.

    Como funciona o critério para uma pessoa se incluir no sistema de cotas ?
    ( em relação ao SISU principalmente )
    È necessário apenas ter uma cor de pele negra ou ela passa por uma espécie de entrevista na qual é realmente comprovada que ela é uma pessoa que pode se “beneficiar” das cotas ?
    Você acha que 50% das vagas do sisu serem destinadas a esse sistema é um percentual muito grande, uma vez que é uma medida polêmica sem um sistema de conscientização da população por parte do governo causando assim, uma primeira impressão negativa, injusta e racista ?
    As pessoas que não se enquadram nesse sistema são realmente prejudicadas pois a relação de candidato por vaga irá aumentar ? as vagas para as pessoas que não se enquadram nesse sistema serão mais concorridas ?
    Os cotistas concorrem por uma vaga apenas com cotistas ou também com não cotista ?
    Em sua opinião, essa medida foi tomada pela presidente como meio de tampar o sol com a peneira, pois ao invés de melhorar a educação de base ela propõem as cotas ?
    Em seu ponto de vista essa medida concretizada pela presidente, é para ela uma solução e também uma jogada política ??
    As cotas tiram o direito de inconstitucionalidade das universidades ?
    você outras sugestões para acrescentar ou substituir as cotas ??

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    1. Olá. Vou tentar responder suas perguntas.

      O critério é que você faça parte do grupo para o qual as cotas ou ações afirmativas são destinadas. Se for uma cota para aluno de escola pública, o candidato precisar dar uma declaração de que estudou em escola pública e ser capaz de provar isso no momento da matrícula. Se for para alunos de baixa renda, a mesma coisa.

      Não existe um fiscal que analise a cor da sua pele e determine se é X ou Y, ainda mais porque isso não é permitido por lei. Mas é necessário assinar ou fazer uma declaração afirmando ser de cor x.

      Não sei se essa nova lei que estabelece os 50% das vagas das federais para alunos provenientes de escola pública, com uma parcela dentro desses 50% destinada a negros, é a ideal. Também não sei se é politicagem ou não, acho que em parte sim. Mas mesmo que tenha seus pontos negativos, acredito que os pontos positivos compensam, mas só o tempo poderá nos responder isso. De qualquer forma, não vejo como uma medida injusta e racista não.

      Imagino que as vagas de ampla concorrência se tornarão mais concorridas sim.

      Um aluno não pode concorrer dentro de uma ação afirmativa e, ao mesmo tempo, por ampla concorrência, a não ser que seja em cursos diferentes, no caso do SISU. No SISU, se ele selecionar o curso de Engenharia Mecânica na UNIPAMPA, por exemplo, e escolher a opção de cotas, então ele concorrerá apenas com candidatos que também escolheram essa opção. Ele não pode escolher duas ao mesmo tempo para o mesmo curso na mesma universidade. Mas ele pode concorrer em ampla concorrência na UFSCAR e através de Ações Afirmativas na UFAM. São exemplos.

      Como eu disse acima, não tenho como saber o que a presidente e seu partido pretendem com essa medida; se as razões são nobres ou não. Mas muitos especialistas na área da educação defendem essa lei. Acho que a educação de base, como você disse, deve passar por uma grande reestruturação, mas nada impede que o governo trabalhe em duas frentes. O importante é pressionar para que isso seja feito.

      Outras universidades, como a USP, UNICAMP e UFF, não utilizam cotas, mas sim um sistema de bonificação. No caso da UFF, o aluno que veio de escola pública recebe um aumento de 20% na sua nota e concorre com todos, pelas mesmas vagas, sem que haja uma separação de vagas para alunos negros ou de escola pública.

      Olha, acho satisfatório o que está sendo feito atualmente no que se trata de ações afirmativas, cotas etc. Mas isso sozinho não resolve e é preciso que se invista em outras coisas também, como ensino técnico (como as FATECs aqui de SP). E, claro, melhoria do ensino fundamental e médio, que são bastante precários.

      Espero ter ajudado de alguma forma.

      Abraço

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  16. Obrigada Fernando !!
    você me ajudou sim,agradeço pela atenção.

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  17. Olá Fernando, eu não tinha um determinado ponto de vista, ainda mais concreto sobre as cotas, tinha uma visão totalmente reducionista que me fazia ser contra a mesma. Estou no 3º ano do Ensino Médio e naquela fase de Enem, vestibulares e afins. Meu professor de sociologia propôs um debate sobre cotas, e em específico as cotas raciais, mostrou um documentário e dividiu os grupos, de início fiquei até irritada por ter sido colocada no lado "a favor", mas com a leitura de alguns artigos, entre ele os seus, e estava lendo os comentários que me tiraram muito mais dúvidas creio que já posso me posicionar melhor com os devidos argumentos e me posicionar. Meu debate é amanhã, usarei muitas de suas palavras, obrigada! Rs.

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    1. Olá, Rose. Fico feliz que os argumentos que eu apresentei aqui tenham te ajudado a formular uma opinião mais sólida, seja a favor ou contra. Espero que vocês consigam desenvolver um bom debate.

      Abraço

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  18. “Não se trata de dar privilégios a um grupo por considerá-lo melhor ou então menos capaz, mas sim de uma reparação histórica e social.”

    Já vimos que não há FATOS para apoiar essa “reparação histórica social”. [estou falando de BRASIL]
    Seus pais são desajuizados economicamente e você quer culpar a exploração branca sobre o homem negro... vamos flutuar mais uma vez por essa brecha...


    PASSEANDO

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    1. Vimos??? Então exponha esses "fatos" aqui e então eu responderei.

      Se você quer se posicionar contra, não vejo nada de errado nisso, contanto que não seja com argumentos racistas ou elitistas. Mas faça isso direito e usando argumentos decentes (se é que isso é possível) e não apenas atacando, sem oferecer qualquer lógica.

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    2. Boa noite ao sr.,sr.Fernando.

      Agora que o sr.encontrou o blog do sr.William,então irei opinar aqui.
      Eu sou a favor das cotas,devido às leituras que fiz dos textos de alguns filósofos utilitaristas.
      O sr.William é contra.
      Somos dois bons debatedores sobre o assunto.
      Nunca concordamos um com o outro,mas sempre temos cada vez mais idéias a respeito.

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    3. Olá, Nihil. Tudo bem? Não precisa me chamar de "senhor" não. Tenho apenas 24 anos! rs

      Volte mais vezes e deixe suas opiniões! Abraço

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  19. Sempre vejo pessoas contra cotas raciais usando péssimos argumentos... Realmente, as cotas não iriam anular o progresso da educação e a situação dos negros em nossa sociedade é pior do que a dos brancos. E não adianta dizer que no Brasil é muito difícil definir quem é negro, pois há muita segregação, porque não é. Está na cara, e não no sangue. Na pele. Quem tem sangue de negro e é branco não sofre preconceito. Mas mesmo com isso, sou contra. Sou contra porque acho que os fins nesse caso não justificam os meios. Que as cotas vão aumentar o número de negros formados em universidades públicas, isso é fato. Mas o preconceito, se não aumentar, vai permanecer. Não acho justo que cor de pele seja critério para passar alguém na frente de outro, ignorando que a pessoa acertou menos no teste. Se eu fosse negra teria vergonha de passar na frente de uma pessoa que acertou mais do que eu apenas por eu ter nascido negra. Existe outro meio de corrigir essa dívida histórica, que aliás, não sou eu que tenho com ninguém, são os meus antepassados, porque EU nunca fui preconceituosa: educação. Vai demorar, é claro que vai. Mas do outro jeito, não vai dar certo. Não vai gerar guerra civil, ÓBVIAMENTE, mas vai gerar um sentimento de "brancos x negros". Já está causando.

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  20. Corrigindo meu comentário: "E não adianta dizer que no Brasil é muito difícil definir quem é negro, pois há muita MISCIGENAÇÃO"

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  21. Sou o anônimo aí de cima e gostaria de acrescentar duas coisas: Em primeiro lugar, achei seus argumentos a favor muito bons, Fernando, e você é bem educado com quem não concorda. É raro algo assim. Em segundo lugar, o argumento de que "é muito difícil definir quem é negro, pois há muita miscigenação" na verdade é válido, não é ruim... Eu dosse que era ruim no caso de pessoas brancas que dizem ter direito às cotas por causa de seus antepassados. Agora, em relação aos "limites" (até que tom de pele uma pessoa é considerada negra?) o argumento, apesar de não ser um dos aspectos mais relevantes, é válido.

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    1. Olá. Eu entendo seu ponto de vista, mas não acredito que seja errado usar ações afirmativas para ajudar grupos/camadas sociais que estejam vivendo à margem da sociedade ou que enfrentem muito mais obstáculos para conquistar determinadas metas. O racismo já está aí de qualquer forma, o preconceito também, então acho que medidas como as que estão sendo utilizadas compensam fortemente os pontos negativos. Agora precisamos ver quais serão os efeitos de tudo isso no decorrer dos próximos anos. Acho que dentro de algum tempo já poderemos analisar melhor os resultados.

      Abraço

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  22. Eu gostei muito do seu texto, sou negra e acho que tem que ter cotas sim. Pra pelos menos dar chance aquelas pessoas que a vida sempre vira as costas para ela.

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  23. "Os que conquistam essas vagas estão tão preparados quanto qualquer outro que tenha ingressado por ampla concorrência", se isso fosse verdade não haveria a necessidade de contas, esse seu argumento é mais um contra argumento do que argumento.

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