sexta-feira, 4 de maio de 2012

Guest Post: Liberdade, nome feminino Pt. 2

[Continuação do post da Mari, dona do blog Devaneios e Desvarios]

Como vimos no post anterior, liberdade é uma palavra difícil de definir e ainda mais de viver.

Quem é escravo de vícios, de ações que o prejudicam ou prejudicam a outros, somente vive a ilusão de que é livre.

A linha que separa a liberdade da libertinagem nunca foi tão tênue. Aos que se perguntam por que isso acontece, voltemos ao passado uns instantes: Durante muitas eras, em várias culturas, incluindo a nossa, a manifestação da vontade de ser livre sofria dura repressão. Pais das gerações passadas escolhiam as amizades dos filhos, davam horas para voltar para casa, escolhiam com quem iriam se casar, que profissão deveriam ter...


Os filhos destas gerações repudiaram este modelo "castrador", mas aí se deu o passo em falso: como sempre foram heterônomos, (heteronomia - para outro - alienação; contrário da autonomia ) possuíam boa vontade de mudar, de revolucionar, porém a maioria não conseguiu realizar esta mudança com equilibrio: caiu no extremo oposto da repressão: o lassez-faire (deixar fazer, deixar como está).  Pois como não tiveram condição de viver a autonomia, não poderiam ensiná-la para outros.

Com o discurso de que  não poderíamos ser reprimidos, deram vazão a todas as vontades, todos os desejos. Conheceram a libertinagem que, em vez de proporcionar a liberdade almejada, os acorrentou a prazeres fugazes, a paraísos artficiais.

Como postou sabiamente Bree Emma Sommers, no blog The Renegades.

"Por vezes, a própria comunidade nos põe um travão, impedindo-nos de prosseguir os nossos atos, de perseguir os nossos sonhos. Mas será isso saudável para a Humanidade? Não concordo. Qualquer pessoa que seja privada pela sociedade de exibir orientação sexual, religião, etnia ou até mesmo um mero capricho de adolescente, assim que apanha uma pequena oportunidade, dá azo à libertinagem, no seu contexto mais real, ultrapassando limites perigosos, derrubando barreiras vitais."
Hoje em dia, sentimos os reflexos. Não que nossa geração tenha sido reprimida, mas a falta de referência faz com que muitos jovens - ou nem tanto - queiram se livrar de uma situação desconfortável, real ou criada por eles, e não possuem o discernimento para fazê-lo. Recorrem então a meios inadequados, esquecendo o princípio da "liberdade que termina onde começa a do outro"  e cultivando o princípio da "liberdade a qualquer custo", não se importando em prejudicar outras pessoas no processo.

Continua a blogueira mencionada acima, com muita propriedade:


(....) Mas fazemos parte de uma sociedade hipócrita, vingativa, exorbitante, extravagante, onde todos se procuram exibir, onde todos procuram usufruir de uma maior liberdade, nem que isso implique quebrar a linha ténue que nos separa do próximo, que separa o que devemos ou não fazer. Mentes consumidas pela necessidade de consumo, gastas com a pressão da diferença"

Como se realmente vivêssemos em uma "Matrix", apenas alimentando a ilusão de que somos livres.

Como, então, podemos cultivar a verdadeira liberdade? No próximo post, a conclusão.

12 comentários:

  1. Olá, Fernando, agradeço as palavras que me escrevestes no e-mail.

    Está sendo interessante a experiência de sair um pouco do que costumo escrever no meu blog.. me faz lembrar os textos que escrevia na faculdade (faz falta o ambiente acadêmico). Agora, lá vou eu tentar concluir o espinhoso assunto iniciado. Obrigada pela força!

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    1. Oi! Agradeço novamente por esses posts que você está escrevendo! É interessante mesmo esse exercício de escrever sobre coisas que estão fora daquilo que costumamos discutir em nossos textos.
      Abraço! :)

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  2. Oi Fernando,

    Tudo bem? Chegando pela Mari e adorando a discussão do tema liberdade com lógica e argumentação.

    Beijos.

    Lu

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    1. Oi, Luciana! Tudo bem sim. Espero que você goste do meu blog :)

      Beijos

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  3. Olá Fernando, achei muito pertinente a reflexão esboçada pela Mari, nós como sociedade vivemos um momento de antítese, conquistamos relativa liberdade em diversas áreas e simplesmente não sabemos o que fazer com ela, daí vem os excessos, temos liberdade, mas não autonomia e é esta que nos permite nos reconhecer como individuo que somos e nos afirmarmos como tal, a falta dela nos conduz à uma busca cega por referências e estas acabam nos apresentando novas cadeias...

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  4. Fernando,
    venho lá da Mari,
    muito bem abordado, de forma inteligente, a questão da liberdade, e o quanto muitas vezes temos que nos tolher para podemos "sobreviver" socialmente.
    Estou seguindo seu blog e convido a conhecer o meu.
    Grande abraço!

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    1. Oi, Cecília! Fico feliz que, além dos ótimos Guest Posts que a Mari está publicando aqui, de brinde eu ainda receba alguns ótimos comentários e seguidores que conheceram o Reflexão Geral através do blog dela.

      Ah, estou lendo seu blog! Bastante interessante! :)

      Abraço!

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    2. Obrigada pelo comentário lá no blog, espero conseguir criar uma conclusão à altura. Abraços e boa semana!

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  5. Achei ótimo o post! Realmente fantástica a forma como o assunto foi abordado e os argumentos alocados!

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  6. Fernando, desculpe a demora na conclusão do guest post... estou fazendo uma pequena pesquisa entre membros da blogosfera sobre o assunto, para postar uma boa conclusão para um assunto tão simples e complexo ao mesmo tempo como este. Espero conseguir reunir as ideias até o final desta semana.
    Abraços.

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    1. Não precisa se desculpar! Não tem pressa não :)
      Tenho certeza que você fará uma ótima conclusão.

      Abraços

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  7. Ansiosa pelo último post! Vem reflexão/discussão boa aí...

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