domingo, 2 de dezembro de 2012

Aborto – Argumentos Contra

No rol dos temas polêmicos, o aborto está lá no topo. Como alguém que já teve opiniões distintas sobre este ponto, contras e a favor, posso afirmar que há muita confusão sobre o assunto, mesmo entre profissionais de saúde, incluindo aí os médicos. Também existe certa tensão, principalmente quando pontos de vista divergentes se chocam. E não há como ignorar as religiões e os religiosos que se posicionam contra, como é o caso da igreja católica. Então o objetivo deste post é reunir os argumentos que são utilizados contra o aborto, sendo eles religiosos ou não. E, como de costume, depois farei outro post, mas com os argumentos a favor da descriminalização.


As opiniões mais comuns:

  • O feto é um ser humano, então deve possuir os mesmo direitos que qualquer indivíduo, adulto ou não, nascido ou não

  • Não há como traçar uma linha (que seja livre de contestações) na qual se possa determinar quando o feto passa a ser uma pessoa ou a possuir vida, então o melhor é partir do pressuposto que se trata de uma vida desde o momento da concepção;

  • Toda pessoa tem direito à vida, logo, o feto também deve possuir esse direito;

  • A mãe deve ter o direito de decidir sobre o que ocorre com o seu corpo, mas não com o corpo que está em seu útero;

  • A grávida tem obrigação moral de suportar os meses da gestação e parir seu filho;

  • Exceto em casos de estupro, a responsabilidade pela gravidez é da mãe, por não ter usado camisinha ou anticoncepcionais;

  • Mesmo que o feto não possa ser considerado “vivo” antes de desenvolver um sistema nervoso central, ainda assim ele é uma vida em potencial, já que se desenvolverá se a gravidez não for interrompida;

  • O feto sofre durante o aborto.


Dentre as que eu costumo ouvir, as opiniões acima são as mais corriqueiras. No grupo daqueles que são arduamente contra a descriminalização do aborto, percebe-se um consenso de que os métodos para evitar a gravidez são abundantes e que, dado esse fato, não faz sentido permitir que o aborto seja realizado, já que alternativas para prevenir a gravidez estão disponíveis. Questionados sobre a ignorância de parte significativa da população em relação a métodos contraceptivos, sobre a situação degradante em que milhares de famílias vivem (onde ocorre perpetuação da pobreza e altas taxas de fecundidade), ou mesmo sobre a numerosa quantidade de mulheres que morrem por complicações decorrentes do aborto, respondem que a solução para o cenário atual não é a descriminalização do aborto.

As opiniões mais extremas:

Posições contrárias ao aborto mesmo em casos de estupro ou nos quais a gestação ou parto representa risco para a vida da mãe.

  • Seria assassinato realizar o aborto, mesmo em casos em que a gestação ou parto represente risco para a vida da mãe. Já deixar que a mãe morra para que o filho viva não seria;

Trecho retirado do artigo "Uma defesa do aborto", de Judith Jarvis Thomson: O argumento mais conhecido neste caso é o seguinte. Dizem-nos que fazer o aborto seria matar diretamente a criança, ao passo que não fazer nada não seria matar a mãe, mas apenas deixá-la morrer.”

  • Ainda que a gravidez seja fruto de um estupro, o feto possui direito à vida;

  • Mesmo em caso de anencefalia, em que não há expectativa de vida após o nascimento, a gravidez não deve ser interrompida, pois a efemeridade da “vida” do recém-nascido não anula o seu direito a ela.  

Em geral as opiniões mais extremas possuem vínculo com a religião, embora isso não seja regra.

Argumentos religiosos:
  • A vida se inicia no momento da concepção, portanto, qualquer atentado contra ela implica em assassinato;

  • O aborto é um pecado, uma vez que infringe o mandamento “Não Matarás”.


Dom Odilo Scherer
Um dos grandes representantes da igreja católica no Brasil, o Arcebispo Dom Odilo Scherer reafirma esse pensamento e, como não poderia deixar de ser, condena a interrupção da gravidez: “não pode ser descartada uma vida em função da outra”, frase do Arcebispo sobre o aborto e sobre a vida da mulher, em entrevista ao programa Roda Viva. De acordo com ele, a política pública deve ser de apoio tanto à mulher quanto à criança, de forma que se faça que a vida de ambos seja assegurada. Para a Igreja, a vida começa no momento da concepção, então ela não pode ser interrompida por motivo algum.

Outras religiões podem ser mais ou menos moderadas em relação a isso. No artigo “O Aborto: Um Resgate Histórico e Outros Dados”, as autoras fazem um apanhado geral da história do aborto e a maneira como ele foi encarado pelas diferentes civilizações. Sobre o momento atual, no contexto das religiões, elas dizem que a Igreja Protestante e a Judaica são mais flexíveis, enquanto que no catolicismo a rigidez é maior.

O que pensam os médicos?

No artigo “Aborto: conhecimento e opinião de médicos dos serviços de emergência de Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil, sobre aspectos éticos e legais”, os autores analisam o conhecimento e opiniões dos médicos sobre o aborto, legislação acerca dele e sobre a situação da mulher no Brasil de hoje. A conclusão foi a de que predomina a ignorância sobre a legislação e conduta que deve ser adotada pelo médico em casos ou tentativas de aborto.

Dos entrevistados, 17,5% concordariam em realizar o aborto caso o mesmo fosse descriminalizado. 23% não possuem opinião  e 60% não realizariam. Um dado a ser notado é que 8,8% dos médicos ginecologistas obstetras entrevistados sentem raiva da mulher quando atendem um caso de aborto, mas 68% afirmam o oposto e 45% não reprovam mulheres que praticam o aborto.

No Brasil, em casos em que a mulher alega ter sido estuprada, não há a obrigatoriedade de boletim de ocorrência ou de laudo do Instituto Médico Legal, não sendo criminalizado o aborto nestas circunstâncias. Ainda assim, constatou-se que aproximadamente 70% dos entrevistados afirmaram o oposto, revelando ignorância sobre a questão. E 26% acreditavam ser necessário o consentimento do marido para que o aborto pudesse ser feito, o que não é o caso.

Concluo então ressaltando que as opiniões expostas neste post não correspondem à minha. Mesmo no texto com os argumentos a favor, que escreverei, alguns dos pontos que serão apresentados não corresponderão, necessariamente, com o que penso e acredito.

Leia o post em que continuo a discussão – Aborto e Descriminalização

Fiquem à vontade para comentar e para seguir o blog através da página do Facebook e do Google +.

31 comentários:

  1. Acredito que ninguém seja a favor do aborto. Mas sim a favor de que as mulheres tenham o poder de decidir se querem continuar com uma gravidez ou não. Eu mesma não faria - apesar de nunca ter estado em uma situação desesperadora (pois acredito que o aborto é uma decisão de desespero, medo, angústia) já que métodos contraceptivos que uso nunca falharam.

    Eu sou a favor que as mulheres pobres não morram. Afinal, para as ricas, o aborto é acessível e pago. São as pobres que buscam clínicas de fundo de quintal e morrem por procedimentos mal feitos. Isso é a meu ver uma violação dos direitos humanos mais básicos, como vida, liberdade, saúde.

    Os argumentos sobre direitos do feto ignoram totalmente os direitos de uma mulher adulta, que trabalha, em geral já tem mais filhos e é a chefe da família. Todo mundo responsabiliza a mulher, mas onde está o pai deste feto? Quando uma criança é jogada no lixo, a mãe é a culpada, mas onde estava o Estado brasileiro para dar à essa mãe o apoio necessário? E o pai da criança? Ou seja, o problema é muito mais complexo do que permitir ou não que o aborto seja descriminalizado para todas as situações.

    Eu acredito e defendo que ele deva sim ser descriminalizado, mas que deve vir com uma política nacional de controle de natalidade, com política de saúde para homens e mulheres, com maior acesso às cirurgias de ligadura e vasectomia e uma real preocupação com o uso de métodos contraceptivos. Acho que já passou da hora de o Brasil acordar para isso. As mulheres morrem, são criminalizadas, penalizadas e mortas por um procedimento que o Estado não dá.

    Quanto ao feto, a minha visão é simples. Se nós somos considerados mortos com o fim da atividade cerebral, deveríamos ser considerados vivos a partir do início desta atividade, o que não acontece de imediato. Portanto, antes de 12 semanas, o aborto deveria ser permitido em qualquer situação.

    Quando eu vejo o Estatuto do Nascituro entre as pautas de votação das nossas casas legislativas, eu fico com medo do futuro de um país que nega às mulheres seus direitos mais básicos. E fico com medo de um dia engravidar e ter esses direitos corrompidos por uma gestação que pode nem vir a vingar, afinal 25% das gestações acabam em abortos espontâneos.

    Vish, falei demais. rs

    Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Sybylla! Bom, acho que nem preciso dizer que concordo com tudo o que você disse. Sobre quando começa e termina a vida, sobre a forma como o governo negligencia essa situação e também como conceitos e princípios religiosos acabam intervindo no funcionamento de um Estado que deveria ser laico.

      Também penso que ninguém que seja a favor da descriminalização do aborto encare o assunto como se fosse uma pílula do dia seguinte ou algo semelhante. Muitos até dizem "Contra o aborto, a favor da legalização". Então é uma questão de escolha. É incrível com muita gente entende descriminalização com obrigatoriedade. Não entendem que o que se busca é a liberdade de escolha da mulher, sem que esta precise arriscar a própria vida em clínicas clandestinas ou utilizar métodos extremamente perigosos, como aqueles com agulha de crochê ou então medicamentos que podem gerar efeitos bastante danosos.

      Então é isso que você falou. Não é apenas fazer com que o aborto deixe de ser crime, mas também criar políticas de controle de natalidade, expandir as campanhas já existentes e trabalhar na erradicação da miséria, pois nesses casos as campanhas dificilmente atingem o público alvo.

      Pretendo me aprofundar um pouco mais quando escrever sobre os argumentos a favor da descriminalização. E ainda quero escrever sobre outros pontos dentro desse tema, mas antes queria fazer essa introdução com os dois lados da moeda.

      Obrigado pelo comentário! Como você pode ver, também acabei falando bastante rs


      Excluir
    2. A ~obrigatoriedade~ é a meu ver o pior mito que rodeia o assunto. Alguns acham que tropas federais arrastarão as gestantes para clínicas e arrancarão bebês prestes a nascer de seus ventres. Acho que quem prefere defender o embrião antes de uma mulher adulta não privilegia em nada os direitos inalienáveis do ser humano. E enchem a boca para dizer que estão defendendo a ~vida~. Vida? E a vida das mulheres que morrem por que não podem ter acesso seguro ao procedimento?

      Vou acompanhar os posts, acho que é uma discussão que deve ser feita.

      Abraço!

      Excluir
    3. Linda guarde seus comentários pra VC ... O tabaco é seu , dê a quem VC quiser , mas se VC abortar é crime ta ? ☺

      Excluir
  2. Apartir do momento que envolve vida, não concordo que interompa uma gravidez, mesmo que tenha sido iniciada por meio de estupro!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Penso assim tb. Muitas mulheres q levam adiante uma gravidez decorrente de estupro, passam a amar a criança com o decorrer do tempo.

      Excluir
  3. Eu sou contra o aborto, pois ninguem tem o direito de tirar a vida de uma vida inoscenre q não tem culpa de um erro, na minha opinião o unico que pode tirar a vida de uma pessoa é Deus!!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Uma vida humana não começa na concepção.

      E tire sua religião do meio da discussão, pois o estado é e deve ser LAICO.

      Democracia é um saco quando não é a seuf avor, né?

      Excluir
    2. a vida começa na fecundação, quando se forma a célula ovo ou zigoto tendo em vista que a célula é a menor parte de um corpo, a célula zigoto é um corpo em desenvolvimento e uma coisa não de desenvolve sem vida.
      o argumento de que estamos em um país democrático nos dá a ideia de escolha, mas você deve concordar que o direito de viver é mais importante que o de escolher.
      o aborto é um dos 5 principais motivos de morte de brasileiras.Muitas pessoa vão as rua contra o aboto por que pessoas de bem não querem pagar impostos para financiar clínicas que matam seres indefesos sem remorso.
      Muitos dizem que não adianta ter o bebe e abandoná-lo, mas as pessoas tem a oportunidade de mudar sua história e não jogá-la ao léu.
      precisamos de mais amor no coração.Amor á vida.

      Excluir
    3. A vida começa com o desenvolvimento de um sistema nervoso central, o que demora algumas semanas.

      Estudar biologia ajuda nessas horas, viu?

      Amor à vida das mulheres que morrem por abortos ilegais e para as quais você tá cagando.

      Excluir
    4. A vida começa a partir da fecundação, isso para nós que somos Cristãos, biologia ja envolve quem tenta explicar tudo atraves de um não-Deus. Se liga ai.

      Excluir
    5. A vida na Terra começou há bilhões de anos quando as primeiras moléculas se juntaram para compor a primeira célula.

      As Católicas Pelo Direito de Decidir também são cristãs. Pesquisar um pouco antes de falar merda ajuda, não mata ninguém, faz bem pro intelecto.

      Ciência e religião estão separados há muito tempo. Pega o seu Tardis e volta pra IDAde Média, amiga.

      Excluir
    6. Ao anonimo...

      E de onde vieram as primeiras moléculas e células? Do nada?
      Do nada, nada pode surgir!
      Sempre existirá uma causa e um efeito. E a causa sempre será, em nível de importância, superior ao efeito. Se há um universo (efeito), logo, há um Criador (Causa).
      ciência e religião separadas? Ai é sua opinião. Podemos passar um bom tempo aqui enumerando quantos cientistas professam a fé no Deus de Israel.

      Hoje, a ciência já admite que a existência de vida inteligente depende de um conjunto inicial de condições ajustadas a uma proporção incompreensível e incalculável. Logo, através da sintonia que formou o universo, se apenas uma pequena parte da força gravitacional, por exemplo, tivesse sido diferente, isso seria o suficiente para não existir vida inteligente no universo, ou nem mesmo o universo.

      Excluir
    7. Então gente que tal nos ecerramos a conversa porque podemos discutir sobre "vida inteligente" agora e philosophar até o resto de nossas vidas.
      Eu tambem me perdi em quem é a favor ou contra o aborto mas gostei da referência a Doctor Who ^_^
      E todas as opiniões são diferentes.

      Excluir
  4. ""Exceto em casos de estupro, a responsabilidade pela gravidez é da mãe, por não ter usado camisinha ou anticoncepcionais;""
    Ridiculo esse argumento, na hora do estrupo a mulher não vai lembrar de pedir ao cara que coloque camisinha, e no outro dia vai estar tão traumatizada a ponto de não tomar anticoncepicionais!! PF né..olha a ignorancia!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "EXCETO em casos de estupro" - De uma forma ou de outra, eu também não concordo. Os argumentos não são meus.

      Excluir
    2. ao se dizer EXCETO significa que isso sobre a responsabilidade pela gravidez ser da mãe não se aplica ao caso de estupro -.-'

      Excluir
    3. Lendo o que você acabou de dizer,não há como a mulher pedir para o homem usar camisinha, já que o caso vem a ser um estupro. Se ela pedisse pra ele usar, ela praticamente estaria concordando com o ato sexual.
      Apesar de ser um caso de estupro, o feto irá ter vida. Caberá a mãe decidir o que irá fazer com ele. Poderá cuidar dele ou poderá escolher uma entidade para doação da criança. É dever do Estado dar apoio psicológico a mãe.

      Excluir
    4. Interpretação de texto pra que né? "exceto em casos de estupro" ~VÍRGULA~ "a responsabilidade pela gravidez é da mãe, por não ter usado camisinha ou anticoncepcionais"
      Isso quer dizer que TIRANDO os casos de estupro, a responsabilidade é da mulher por ñ ter usado camisinha! Ou seja, a mulher q faz sexo por escolha, sem prevenção deve assumir a responsabilidade, EXCETO em casos de estupro onde a mulher não tem escolha

      Excluir
    5. Chega ser ridiculo o posicionamento do colega acima...
      Imagine-mos a cena:
      -Senhor estrupador por favor coloca camisinha!!!

      Excluir
  5. Acho tão ~lindo~ quando um HOMEM resolve definir o que uma mulher tem que fazer com seu próprio corpo. E que depois é só entregar para a adoção, já lares adotivos são lugares com McLanche Feliz todo dia, onde as crianças são amadas e bem cuidadas e são rapidamente adotadas, pois nossa justiça é tão rápida e justa...

    ZzzzzzzZZZzzzzzzzzzzzzzz...

    Opa, acordei! Esse papinho cagador de regra estava me fazendo dormir.

    Vida? O que é vida? Defina pra mim o que é vida. Eu começo, é um processo que começou no planeta Terra pouco após sua caótica formação.

    Vida é o que? Ela tem carbono? Vamos parar de queimar carvão. Ela tem DNA? Vamos parar de retirar tumores e evitar escovar os cabelos.

    Vamos também parar com toda a rede de transplantes no país, pois afinal, a pessoa tem DNA, tem células vivas - foda-se se o cérebro funciona ou não - e vamos parar de salvar milhares de vidas todos os anos por causa dos órgãos transplantados.

    "Caberá à mãe decidir o que fazer com ele". Se existisse aborto descriminalizado e atendimento médico às milhares de mulheres que morrem por causa de abortos feitos por açougueiros, essas vidas estariam salvas.

    Quer salvar vidas? Comece por essas.

    ResponderExcluir
  6. Não sei há quanto tempo este post está aqui, então corro o risco de ser uma retardatária na discussão. Mas vamos lá: No caso do aborto, sou contra, e posso narrar os motivos para isso:
    1) O primeiro motivo para isso é que a premissa de quem defende o aborto é o direito humano de escolher ter filhos. A grande questão é que a proteção chega a quase 100% no caso da pílula e camisinha combinadas. Assim, raramente uma mulher que tenha se prevenido engravidará . Agora, porque elas não se previnem?
    2)Isso nos leva à questão dois: O Brasil não tem uma política que realmente incentive o controle de natalidade. Campanhas para o planejamento familiar ocorrem só ocasionalmente, em períodos como Carnaval, e não possuímos aulas específicas de educação sexual nas escolas, fora do âmbito biológico.
    3)E porque isso impacta na sociedade? Porque, se não tomarmos essas precauções primeiro e legalizarmos o aborto, teremos altíssima taxa dele (bem maior que a atual, já que o que ocorreu em países que legalizaram foi uma explosão e a posterior queda). E pesquisas demonstram que mulheres que realizaram o aborto tem mais tendência ao suicídio e a depressão, especialmente se se arrependem de tê-lo feito. Em um país onde a religião maioritária é a católica romana, que condena o aborto como assassinato, esse risco não deve ser dispensado. Um exemplo a seguir nesse caso, por exemplo, é a Suíça, onde o aborto é legalizado, mas ocorre com uma frequência de apenas 0,6% na população e os índices de gravidez adolescente são irrisórios. Já os EUA, opostos, têm 12,5% de taxa de gravidez na adolescência, e uma taxa de aborto condizente, mais entre mulheres excluídas socialmente. Ou seja, o aborto, pior do que ser frequente, é uma manifestação da desigualdade social.
    4)E não adianta dizer que as taxas dos EUA são baixas quando comparadas com as nossas só porque não temos o aborto legalizado. Até porque o Brasil, sendo um país emergente, também possui taxas maiores em: Assassinatos, estupros e crimes contra a propriedade. Ainda assim, comparando-o com o resto do mundo desenvolvido, tem serviços de saúde e taxas de violência inadequadas para sua renda per capita.
    5)Não há fiscalização que garanta que mulheres não sejam obrigadas a realizar o aborto, por maridos ou pais. Em países onde o aborto é legalizado, por exemplo, esses casos são numerosos, apesar das denúncias. No Brasil, onde a situação de Assistência Social não é tão desenvolvida, isso pode dar origem a um verdadeiro pesadelo.
    6) Há alguns que argumentam que o aborto salva bem mais vidas do que destrói, levando-se em conta de que é a segunda causa de mortalidade materna em algumas cidades. A SEGUNDA causa. Qual seria a primeira? Negligência. Muitas vezes, por falta de leitos, mulheres com partos complicados não são aceitas nos hospitais públicos e acabam morrendo. A estrutura de saúde brasileira é péssima, e o acesso a cirurgias de laqueadura é escasso para as que dependem do SUS. Assim, muitas mulheres pobres realizam aborto JUSTAMENTE porque o seu direito à laqueadura não foi garantido. E, citando as causas de mortes acima, como confiar na mesma saúde que mata mais mulheres em seu de parir um filho do que o próprio aborto clandestino para realizá-lo de forma legalizada, sem causar o mesmo tipo de taxas que tentamos evitar?
    7)E, por último, há a primeira questão de ordem ética sobre o aborto que irei expor aqui, além das anteriores de ordem prática: Embora a Medicina divida-se sobre esse assunto, a maioria dos médicos considera que a vida inicia-se com a presença de células nervosas. Ou seja, levando-se em conta que essas aparecem somente aos 18 dias no feto, o aborto, que na maioria dos casos é recomendado até as 12 semanas da gravidez, mata sim. E, constitucionalmente, a vida é um direito para todo ser humano.
    Se alguém achou falhas no meu raciocínio, por favor, apontem. Gosto de pensar muito sobre assuntos como esse e me disponho a mudar de ideia caso os argumentos contrários sejam mais fortes.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bem, a principal falha no seu argumento e que você não levou em conta em nenhum momento em seu monólogo é que a mulher é dona de seu corpo e não deve ser punida por uma gravidez indesejada, porque SIM, QUERIDA, gravidez indesejada ACONTECE, mesmo com essa estatística sua furada de que há uma proteção de 100% quando a mulher se previne.

      E mesmo assim, tem mulher engravidando.

      Outra coisa que você aparentemente desconhece: COERÇÃO REPRODUTIVA. São parceiros que escondem os anticoncepcionais, furam camisinhas e impedem suas companheiras de tomarem qualquer medida contraceptiva e acabam engravidando e tendo que parir por causa desses imbecis.

      O aborto nunca deve ser usado como medida de contracepção, ele deve ser usado para SALVAR VIDAS DE MULHERES que morrem por abortos clandestinos. E quem são essas mulheres? Elas são negras e são pobres, porque as mulheres ricas podem pagar por um aborto seguro.

      Se você é contra um aborto EM VOCÊ, não o use como desculpa para embasar argumentos que vão continuar matando mulheres negras e pobres porque o estado é incapaz de fornecer o atendimento médico e hospitalar adequado para uma mulher que quer interromper a gravidez.

      E as estatísticas mostram que em países onde ele é liberado, o número de abortos CAIU, e nenhuma mulher mais morreu por causa de abortos mal feitos. Você fala que vai chegar em níveis estratosféricos. Não, não acho. Quem não quer fazer não faz. Mas as mulheres que precisarem e quiserem terão o direito de fazer sem serem julgadas ou mortas por açougueiros.

      E você mencionou a igreja católica. Bem, você conhece o Católicas pelo Direito de Decidir? Então, conheça. Porque do que li do seu comentário, foi coisa de reaça.

      Excluir
    2. Olá, Vic. Eu escrevi um post em que tento me aprofundar um pouco mais no assunto e apontar algumas informações que considero relevantes. Ainda não tive tempo de publicá-lo e também preciso revisá-lo, mas em breve ele estará aqui.

      Uma das minhas fontes foi um estudo interessantíssimo realizado pela UNB e UERJ: Aborto e Saúde Pública - http://www.estadao.com.br/ext/especiais/2008/04/pesquisa_aborto.pdf

      Excluir
  7. Querem salvar a vida das garotas que morrem em clínicas clandestinas de aborto? Simples: acabem completamente com o aborto ilegal ao invés de legalizá-lo.

    Se todas as formas de aborto, clandestinas ou não, forem erradicadas, não existirão mais jovens que morrem em clínicas clandestinas.

    Não deixem que as jovens abortem e vocês terão salvo suas vidas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Estamos lidando com militantes radicais, de movimentos políticos radicais. Chegam ao cúmulo de tentar isolar aqueles que se mostram contrários ao aborto dizendo que o "estado é laico". Pergunto: o que esses descerebrados entendem por estado laico??

      Pois explico: estado laico não significa estado sem religião, mas estado respeitando TODAS as religiões. Ou seja, o estado não é um vazio religioso, mas um espaço democrático às religiões. Sempre fico impressionado como ignoram este detalhe em qualquer discussão sobre o aborto.

      Outro ponto: Não faz sentido tirar os religiosos do debate, pois a questão religiosa é relevante para milhões de pessoas. Seria o mesmo que proibir qualquer liberdade de expressão das mesmas sobre o aborto, ou minorar a importância delas.

      No mais, concordo com o argumento do colega. Não ocorrem mortes porque o aborto é ilegal, mas justamente porque abortos ilegais ocorrem. Os defensores do assassinato de bebês cinicamente ignoram e invertem a lógica. Querem parecer bonzinhos ou - palavra da moda - progressistas, e não o que são de fato!

      Excluir
    2. Sempre muito fácil acusar aquilo com o qual não se concorda de "radical". É uma via muito mais fácil. Mas esse "argumento" é tão subjetivo que qualquer um pode usar e em qualquer situação. Mas enfim...

      Sobre a laicidade do Estado, princípios religiosos não podem determinar o que é certo e o que é errado, o que pode ou não pode, quando começa ou termina a vida etc. Ponto final. Simples. Isso não quer dizer que o Estado seja ateu ou que deva ignorar as religiões, mas sim que não pode se basear nelas para determinar nada.

      No mais, já escrevi outro post sobre o assunto: http://www.reflexaogeral.com.br/2013/12/aborto-e-descriminalizacao.html

      Excluir
  8. a vida e uma dadiva de deus pois a biblia afirma que ha incluso nos mandamentos nao mataras

    ResponderExcluir
  9. A realidade é que a sociedade e principalmente esse pais aqui, o Brasil, nao aprende que nao adianta resolver um problema com outro . A uma carência muito grande de educação aqui, os problemas surgem e crescem cada vez mais e o que o estado faz? Toma atitudes radicais, em vez de prevenir o problema , espera ele crescer, chegar a pontos tão extremos como o aborto e depois querem em uma reuniao ou no plebicito sei la decidir , buscar soluções imediatas, soluções que não precisariam existir, se os poderes públicos e os responsaveis pelo país se importassem nao só com seus filhos mas com todos que habitam e moram aqui.

    ResponderExcluir
  10. Você não tem o direito de ser a favor do aborto, já tendo nascido, e ainda estando a desfrutar da vida...
    É como ser contra a maconha e dar uns "tapas na macaca" com frequência...
    Se você sabe o quanto a vida faz mal, e quer por esse motivo continuar a incentivar o aborto, a melhor forma de fazer isso, é se matando primeiro. Se toda pessoa que é a favor do aborto se matasse, seria um justo incentivo. Ahh e antes q me pergunte o q eu acho das mulheres q morrem em uma mesa matando seu proprio filho aqui fica meus sinceros sentimentos de q acho digno ou justo pra um "ser" q tem tanta coragem! :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Juliane, obviamente não concordo com você. Mas já expressei a minha opinião de forma mais aprofundada em outro post. Esse aqui: http://www.reflexaogeral.com.br/2013/12/aborto-e-descriminalizacao.html

      Mas você pode ter a sua opinião, claro, e pode discordar da minha. E nem por isso penso que você deva morrer ou se matar hahaha

      Um abraço

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...