terça-feira, 25 de junho de 2013

As Imagens que Construímos



Numa comparação bastante absurda, mas que faço questão de usar, as pessoas são como os lugares que frequentamos. Lugares que, à primeira vista, são repletos de informações novas e que podem nos fascinar ou assustar. Por mais que existam similaridades, um nunca é idêntico a outro. As ruas, luzes, prédios, casas e a dinâmica possuem suas singularidades. A reação inicial em geral é de estranhamento, ainda que possa vir acompanhada de elementos de familiaridade.

Até que um dia, sem que percebamos, a junção de todos os elementos que antes nos eram estranhos assumem uma composição que se torna comum aos nossos olhos. Dizendo de uma forma mais simples e sucinta, nos acostumamos. 

Quando conhecemos alguém, algo semelhante ocorre. Um sem número de códigos são intencionalmente e involuntariamente expostos, desde os trejeitos até o modo de falar e se comportar. Com o tempo, inevitavelmente criamos uma imagem. E nessa imagem, ou seja, a concepção que fazemos dos indivíduos, sempre há muito de nós mesmos. Os vestimos com nossos conceitos, expectativas, idealizações e preconceitos.


O que vemos neles não é necessariamente o que eles são, mas principalmente uma interpretação que está intrinsecamente ligada ao que somos, de forma que o que cada um percebe pode ser diferente e, conforme mudamos, as pessoas que conhecemos também podem mudar aos nossos olhos. 

É cômodo guardar essas concepções em caixinhas e deixa-las lá, relegadas à negligência, esperando sermos surpreendidos para que apenas então as transformemos em qualquer coisa nova.
 

Abrir os nossos olhos para outros detalhes e observar sob ângulos alternativos aquilo sobre o qual já temos uma ideia definida pode se revelar um exercício construtivo. Aquela menina aborrecida e tristonha de repente parece mais interessante, aquele bar claustrofóbico passa a ser aconchegante e a rua que outrora era apenas uma intermediária entre dois pontos se converte num destino.

Lembro-me da primeira vez que a vi. Por trás de cada expressão, de cada movimento dos braços ao gesticular e de cada olhar, alguns mais demorados, outros mais relutantes, se escondiam mistérios que eu ansiava por conhecer. Após muito tempo ao seu lado esses mistérios, agora códigos desvendados, já possuíam em minha mente um significado próprio. Mas que belo foi perceber que a cada sacudida nas peças, uma nova paisagem se formava no quebra cabeças e também em mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário