domingo, 8 de maio de 2016

A Chuva

Luis A. Gutierrez (LAG)

Milhões de gotas em uníssono cortado apenas por rompantes de raios e trovões. Logo o corpo se encharca e o emaranhado interior, em sua amálgama de sentimentos desconjuntos, escorre da cabeça aos pés, desprendendo-se lavado pela chuva.

Resta apenas a correnteza que desenrola-se diante do meio fio e, nas mãos da criança, a embarcação que a desbravará.

Então através das águas revoltas desta correnteza, o barco persiste obstinado, desaparecendo no horizonte e para além da cortina densa que reduz a rua a poucos metros observáveis.

Nada mais acontece, nada mais importa, nada mais existe. E mesmo anos depois, de tempos em tempos, essa torrente ainda deságua na mente do adulto, e talvez por alguns instantes desapareçam também no horizonte, junto com o barquinho de papel, todas as angústias.

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